O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira, 6, o impeachment do presidente Santiago Peña, após uma crise política provocada por suspeitas de fraudes envolvendo o Ueno Bank, uma das principais instituições financeiras do país. A destituição recebeu o apoio de pelo menos dois terços dos senadores e ocorreu após dias de protestos e disputas políticas.
No poder desde agosto de 2023, Peña tinha mandato previsto até 2028. Sua saída ocorreu após perder o apoio do Partido Colorado, legenda que sustenta a maior parte dos governos paraguaios há décadas. O rompimento com o ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças partidárias e antigo aliado político do mandatário, foi decisivo para o avanço do impeachment.
A crise teve início com denúncias de irregularidades no Ueno Bank, instituição que possui cerca de 2,9 milhões de clientes. O colapso do banco provocou o bloqueio de depósitos e manifestações de correntistas. A instituição também administrava aproximadamente R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo valores ligados à Previdência.
Peña é acusado pela oposição de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do banco, e de interferir indevidamente em órgãos responsáveis pela fiscalização financeira e pela administração de recursos públicos. O presidente também é questionado por ter nomeado Carlos Carvallo Spalding, ex-executivo do grupo, para a presidência do Banco Central do Paraguai. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.
Renúncia não impediu impeachment
Na quinta-feira, 5, Peña chegou a anunciar sua renúncia, mas o pedido não foi formalizado pelo Congresso, que deu continuidade ao julgamento político. A diferença entre os dois procedimentos tem consequências jurídicas: enquanto a renúncia poderia permitir ao ex-presidente assumir a condição de senador vitalício, a destituição por impeachment afasta essa possibilidade.
A Procuradoria-Geral do Paraguai anunciou a abertura de uma investigação criminal relacionada às suspeitas. Com a perda do cargo, Peña deixa de contar com as prerrogativas associadas à Presidência e poderá responder judicialmente pelos fatos investigados.
O processo também foi marcado por questionamentos sobre o tempo concedido à defesa. Os advogados do presidente solicitaram mais 72 horas para analisar a documentação apresentada, mas o pedido foi rejeitado. A defesa chegou a mencionar a possibilidade de recorrer ao sistema interamericano de direitos humanos.
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