PARACATU, Brasil — O presidente da Câmara Municipal de Paracatu, Manoel Alves, estava desconcertado ao descobrir recentemente que seu município seria palco de um projeto de centro de dados de inteligência artificial (IA). A notícia chegou por telefone na quinta-feira, e Alves questionou: “Eu só soube que o centro de dados começará a ser construído em dois meses. Vocês também não sabiam sobre isso?”

A surpresa foi generalizada. Restaurantes, farmácias, igrejas e moradores foram pegos de surpresa com a notícia. “É algum novo conceito de hotel?” perguntou um proprietário de restaurante. “Um dentista?” questionou um cidadão na praça principal. “Centro de dados? O que é isso?” indagou o guardião de uma igreja do século XVIII.

O centro de dados em Paracatu, a cerca de três horas de distância de Brasília, será um gigante de 1 gigawatt, equivalente à soma de todos os centros de dados atuais do país, que usam cerca de 800 megawatts. O projeto é liderado por Atlas Renewable Energy, uma divisão da gestora de ativos BlackRock, conhecida por suas instalações de energia solar.

Este artigo foi originalmente publicado em Mongabay.