Uma previsão de onda de calor que se aproxima da França e da Espanha nesta semana pode dificultar os esforços de combate a incêndios florestais, que estão entre os piores da Europa nas últimas décadas.
O serviço meteorológico francês anunciou temperaturas que podem alcançar até 40 graus Celsius a partir de terça-feira, enquanto a AEMET, agência meteorológica da Espanha, alertou para uma nova onda de calor que se estenderá de quarta-feira até o final da semana, com máximas de 42 graus Celsius no nordeste e 39 graus Celsius nas regiões centrais.
Temperaturas extremas e riscos elevados
As autoridades informaram que o aumento das temperaturas, os ventos secos e a baixa umidade elevarão o risco de incêndios florestais para níveis "extremos", em meio a uma série de ondas de calor que deixaram as florestas extremamente secas neste ano.
Milhares de bombeiros, além de aeronaves de combate a incêndios, estão mobilizados para conter as chamas antes que as temperaturas aumentem ainda mais. Especialistas apontam que a magnitude dos incêndios está ligada ao aumento da frequência e intensidade das ondas de calor, impulsionadas pelas mudanças climáticas, que tornam os incêndios mais destrutivos.
Desafios na França e na Espanha
No território francês, o presidente Emmanuel Macron afirmou que um incêndio na região de Landes foi contido, mas um incêndio maior próximo a Bordeaux continua a avançar, já consumindo cerca de 42.000 hectares, forçando a evacuação de aproximadamente 220.000 pessoas e destruindo centenas de lares. "As semanas que se seguem serão difíceis. Precisamos nos manter firmes", disse Macron.
Na Espanha, os incêndios a oeste de Madrid e em outras regiões obrigaram cerca de 60.000 pessoas a deixar suas casas. Com a nova onda de calor ameaçando aumentar a propagação das chamas, o ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que as próximas horas serão "absolutamente decisivas" para controlar os incêndios em andamento.
Desde o início do ano, aproximadamente 150.000 hectares foram consumidos por incêndios na Espanha e 115.000 hectares na França.
Em um acampamento próximo a Navaluenga, que foi devastado pelo pior incêndio da Espanha até agora, a co-proprietária Maria Angeles Canete relatou a perda total. "Tínhamos este acampamento, tínhamos outro, e perdemos tudo. Não temos nada", declarou à agência de notícias AFP.
Recursos da UE sob pressão
A União Europeia enviou aeronaves adicionais para combate a incêndios na França, enquanto a comissária da UE, Hadja Lahbib, alertou que os recursos estão sob crescente pressão à medida que as condições extremas se espalham pelo sul e centro da Europa. "Condições extremas estão se aproximando para Hungria, Eslováquia e República Tcheca, além da França e da Península Ibérica, onde a situação deve piorar, incluindo Portugal, a partir de hoje", afirmou Lahbib.
Na Itália, um incêndio na região sul da Puglia obrigou a evacuação de centenas de turistas de praias e acampamentos, conforme informaram as autoridades.
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