Com a popularidade baixa em seu país, presidente argentino faz turnê pela América Latina MATIAS MARTIN CAMPAYA/EPA/SHUTTERSTOCK Sem nenhuma aliança política consolidada, o senador Flávio Bolsonaro (PL) oficializa neste sábado (25) sua candidatura à Presidência em um evento que promete contar com a presença de Javier Milei. A vinda do presidente argentino ao Brasil ocorre em meio à sua baixa popularidade, catapultada por um escândalo recente de corrupção em seu governo e pelas dificuldades econômicas vividas em seu país. As agendas de Flávio Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição, apontam a participação do presidente argentino em ao menos duas atividades no sábado em São Paulo.
No Palácio dos Bandeirantes, com Tarcísio, Milei receberá a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo. Depois, deve seguir em direção ao Pacaembu, onde participa da convenção do PL que oficializa a candidatura de Flávio. Agora no g1 A presença de Tarcísio está confirmada no evento do PL, ainda que seu partido não tenha se definido sobre apoiá-lo ou não.
Em um momento em que o partido de Flávio é tido como isolado politicamente, sem uma chapa nem apoios partidários definidos, a figura de Milei dá musculatura para a base ideológica da campanha do filho mais velho do presidente. Mas a atração internacional não deve converter votos, afirma Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especializada em América Latina. "Eu não sei se o Milei vai, de fato, gerar mais transferências de votos, mas reforça a identidade ideológica", diz.
"A presença dele energiza, consolida o núcleo duro do eleitorado de direita, mas, muito mais no sentido de um símbolo de coragem discursiva e de radicalismo econômico", prossegue. "Dificilmente a figura de um presidente estrangeiro poderá converter o eleitor de centro ou aquele mais pragmático, porque as preocupações imediatas orbitam em torno da economia doméstica e dos serviços públicos locais." A visita de Milei ao Brasil faz parte de um projeto maior. "Milei tem esse plano de se consolidar em países onde a direita está crescendo", afirma Bressan.
Em uma espécie de turnê pela América Latina, o presidente argentino seguirá, depois do Brasil, para a posse de Keiko Fujimori no Peru. Em seguida, irá para o Equador, onde deve realizar conversas com o presidente, também conservador, Daniel Noboa, segundo a Reuters. Na sequência, Milei visitará a Colômbia para a posse de Abelardo de la Espriella, um outsider da direita radical que acaba de vencer as eleições presidenciais no país.
Para Bressan, muito mais do que apoiar Flávio ou prestigiar a vitória de um político da direita radical em outro país, Milei busca aumentar sua popularidade na região. "O interesse dele em estar no Brasil não é só pelo Brasil, é por ele também", afirma. "Ele não tem poder para mobilizar tantos votos, mas busca consolidar-se como uma liderança intelectual e política da direita ocidental." Esse movimento de se popularizar pela região vem na mesma esteira do avanço da direita radical na América Latina nos últimos anos.
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