Os Estados Unidos e a Arábia Saudita assinaram um acordo histórico que, segundo relatos, poderá permitir que o reino do Golfo enriqueça urânio internamente. Ele é descrito como um "acordo de cooperação nuclear pacífica" que proporcionará "grande acesso para empresas americanas ao programa de energia nuclear da Arábia Saudita", segundo o Departamento de Energia dos EUA. A Arábia Saudita desenvolverá um programa nuclear civil nos termos do acordo, cujo texto integral não foi divulgado.

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível para usinas nucleares, mas também para a fabricação de bombas nucleares. Especialistas afirmam que existe o risco de futura proliferação nuclear em uma região já instável. A questão nuclear tem estado no centro do conflito entre os EUA e Israel com o Irã, que já dura meses.

As duas nações afirmam que uma das razões pelas quais atacaram o Irã foi para impedir que o país desenvolvesse uma arma nuclear — algo que Teerã nega ter planos de fazer. Será permitido aos sauditas enriquecer urânio? Se as notícias veiculadas pela mídia americana forem confirmadas, o acordo nuclear com a Arábia Saudita será uma rara exceção.

Os Estados Unidos possuem o que denominam "acordos de cooperação nuclear pacífica" com cerca de 50 países, segundo o Departamento de Energia americano. Tais acordos permitem a transferência de materiais nucleares, incluindo combustível, reatores e tecnologia, bem como pesquisas conjuntas. Mas até então, apenas dois países — a Índia e o Japão — tinham permissão para enriquecer urânio localmente, um processo crucial na produção de combustível nuclear, mas também de armas nucleares.

As outras nações precisam importar combustível nuclear e também estão proibidas de reprocessar o combustível nuclear usado em reatores para geração de energia. Essa técnica permite recuperar material nuclear utilizável, como plutônio e urânio. Entre os muitos países impedidos de fazê-lo estão os Emirados Árabes Unidos (EAU), vizinhos da Arábia Saudita.

Rosemary Kelanic, diretora do programa para o Oriente Médio do centro de estudos Defense Priorities, com sede nos EUA, afirmou que seria "bastante chocante" se o acordo incluísse a permissão dos EUA para que a Arábia Saudita tivesse instalações para enriquecer urânio. "Os EUA nunca fizeram isso antes, nunca ajudamos outro país a enriquecer combustível nuclear em seu próprio território", disse ela, acrescentando que o motivo é que "se você consegue produzir seu próprio combustível nuclear, você se torna um risco muito maior" para a construção de armas nucleares. O que é urânio enriquecido?

O urânio é um elemento natural encontrado na crosta terrestre. É composto principalmente por dois isótopos: U-238 e U-235. Mais de 99% do urânio natural é U-238, que não sustenta facilmente uma reação nuclear em cadeia.

Apenas cerca de 0,7% é U-235, um isótopo que pode ser facilmente dividido, liberando energia em um processo conhecido como fissão nuclear. Para tornar o urânio útil, a proporção de U-235 tem que ser aumentada por meio de um processo chamado enriquecimento. Primeiro, o urânio é convertido em gás.

Esse gás é então alimentado em centrífugas — máquinas que giram a velocidades extremamente altas.