No final de junho, uma onda de calor na França deixou cerca de 70 mil residências sem energia após a falha de um transformador devido às altas temperaturas. Por cerca de 24 horas, moradores de partes da Bretanha enfrentaram calor extremo, com a temperatura próxima de 40 graus Celsius.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, que se preparava para as celebrações do 250º aniversário, autoridades federais emitiram alertas de apagões. Operadores de rede foram autorizados a solicitar que grandes consumidores de energia, como centros de dados, acionassem geradores de backup para garantir o fornecimento a lares e serviços de emergência, como hospitais.

Desafios enfrentados pelas redes elétricas

As redes elétricas ao redor do mundo enfrentam dificuldades diante de ondas de calor e outros eventos climáticos extremos. Nos EUA, as interrupções de energia durante a temporada de calor aumentaram cerca de 60% na última década em comparação com os anos 2000, segundo dados da organização sem fins lucrativos Climate Central. A falta de acesso a sistemas de refrigeração em períodos de calor extremo é especialmente perigosa para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Esse cenário deve se agravar com as mudanças climáticas induzidas pelo homem, que provocam ondas de calor mais longas, frequentes e intensas, tornando essencial que as redes de energia se adaptem. "À medida que as temperaturas aumentam, os sistemas começam a falhar com mais frequência", afirmou Iain Staffell, professor associado de energia sustentável do Imperial College London.

Consequências das altas temperaturas na produção de energia

Com a chegada das ondas de calor, a demanda por eletricidade aumenta à medida que as pessoas recorrem a ar condicionados e ventiladores. Isso sobrecarrega a rede elétrica, especialmente no final do dia, quando o calor persiste, mas a energia solar começa a diminuir. Além disso, a infraestrutura elétrica, que inclui usinas e transformadores, é vulnerável ao estresse térmico.

Linhas de transmissão, por exemplo, se expandem com o aumento da temperatura, podendo se curvar o suficiente para tocar em árvores ou outros obstáculos, elevando o risco de curtos-circuitos ou apagões. O operador da rede precisa reduzir a quantidade de energia que flui por essas linhas em temperaturas extremas para garantir a segurança do sistema.

As usinas térmicas também enfrentam desafios. O resfriamento em usinas de carvão, gás e nuclear se torna menos eficaz em altas temperaturas, levando operadores a reduzir a produção. Durante a recente onda de calor na Europa, diversas instalações nucleares na França e na Suíça tiveram que diminuir a produção ou interromper suas atividades temporariamente devido à temperatura elevada das águas utilizadas para resfriamento.

Além dos desafios das usinas térmicas, fontes de energia renovável também são impactadas. Níveis baixos de água podem prejudicar a produção de energia hidrelétrica, enquanto a eficiência de painéis solares diminui em altas temperaturas e a velocidade do vento frequentemente cai, reduzindo a geração de energia eólica.

Esses fatores, em conjunto, podem contribuir para a instabilidade da rede elétrica, levando operadores a buscar fontes de energia alternativas, que frequentemente são mais caras e baseadas em combustíveis fósseis.