Em meio a um cenário desafiador, a indústria de telhas no Reino Unido enfrenta pressões econômicas significativas. Tessa Oldroyd, funcionária da William Blyth, uma das últimas fabricantes tradicionais de telhas, opera uma máquina que remonta à década de 1920, simbolizando a resistência de técnicas ancestrais. A empresa, localizada em Barton-upon-Humber, é um dos poucos remanescentes de um setor que já foi próspero.
A argila utilizada, proveniente principalmente do estuário de Humber, chega em blocos pesados e é transformada em telhas por meio de um processo que envolve uma prensa acionada por engrenagens antigas. Oldroyd, a única mulher entre 24 trabalhadores, destaca os desafios físicos do trabalho, mas expressa orgulho em manter viva uma tradição que remonta a séculos.
Desafios contemporâneos e a luta pela sobrevivência
Embora a fabricação de telhas de argila tenha sido introduzida pelos romanos, a indústria britânica floresceu a partir do século XII, especialmente em Yorkshire e Lincolnshire. Hoje, a Roof Tile Association estima que cerca de uma dúzia de empresas tradicionais ainda operam no Reino Unido, com a William Blyth, fundada em 1840, como uma delas.
Nos últimos anos, os fabricantes enfrentaram desafios como o aumento dos preços de energia, elevação nos custos de mão de obra e a concorrência de importações mais baratas. A recente falência da Denby Pottery, uma cerâmica com 200 anos de história, ilustra a gravidade da situação, levando o governo a anunciar um pacote de apoio de £120 milhões para o setor.
Noble Francis, diretor econômico da Construction Products Association, afirma que a energia pode representar até um terço dos custos na fabricação de cerâmicas e que as pressões estão aumentando, especialmente devido a conflitos no Oriente Médio. A produção de telhas de argila no Reino Unido caiu de aproximadamente 4,5 milhões de metros quadrados em 2021 para pouco mais de 3 milhões em 2025, embora tenha registrado um aumento de 5,3% entre 2024 e 2025.
Modernização e inovação no setor
Enquanto a William Blyth preserva métodos tradicionais, uma nova abordagem está sendo adotada por empresas como a Wienerberger, que constrói a primeira tuneladora elétrica do mundo para telhas de argila em Broomfleet, East Yorkshire. Este projeto, parte de um investimento de £37 milhões, visa modernizar a produção, utilizando um processo totalmente elétrico que promete reduzir a emissão de 4.700 toneladas de dióxido de carbono por ano.
A Wienerberger, que também está desenvolvendo um forno a hidrogênio em Denton, próximo a Manchester, considera essa transição essencial para atender às demandas regulatórias e às expectativas dos clientes. No entanto, a modernização traz custos elevados, uma vez que a eletricidade ainda é mais cara que o gás.
Apesar das inovações, Nichols, gerente especializado da William Blyth, acredita que a modernização pode comprometer o valor das telhas artesanais, que são apreciadas por sua variação e caráter. Oldroyd resume a essência da produção artesanal: "Sempre haverá clientes que desejam algo feito à mão e que tenha história".
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.