Um estudo pré-clínico liderado por cientistas da Weill Cornell Medicine e do Cornell Duffield College of Engineering demonstrou que nanopartículas de sílica podem eliminar células tumorais de câncer de próstata agressivo em modelos de camundongos. As partículas, que induzem a autodestruição das células tumorais e estimulam o sistema imunológico, mostraram resultados promissores, incluindo remissões completas em diversos casos.

Nanopartículas com estratégia dupla contra o câncer

As nanopartículas, chamadas de Cornell Prime dots (C' dots), foram inicialmente desenvolvidas para melhorar a imagem médica. Elas estão em estágios avançados de testes clínicos para cirurgia guiada por imagem e outras aplicações terapêuticas. Recentemente, pesquisadores descobriram que essas partículas podem danificar seletivamente células cancerígenas, enquanto preservam as células saudáveis.

No estudo, publicado em 15 de junho na revista Cancer Research, os cientistas testaram as nanopartículas em camundongos com câncer de próstata agressivo. As partículas tornaram as células tumorais vulneráveis à autodestruição e transformaram o ambiente tumoral de um estado resistente ao sistema imunológico para um estado ativo, potencializando a eficácia das terapias imunológicas existentes.

Impacto na resposta imunológica e na sobrevivência

Além de matarem diretamente as células tumorais, as nanopartículas também remodelaram o ambiente imunológico ao redor do câncer. Os pesquisadores notaram que células T, macrófagos e outras células imunes nas proximidades dos tumores passaram de estados inativos ou imunossupressores para células ativas que combatem o câncer. As nanopartículas aumentaram a resposta dos tumores a medicamentos imunoterápicos aprovados e interromperam processos metabólicos em várias células do microambiente tumoral, retardando ainda mais o crescimento tumoral.

Para direcionar o tratamento às células de câncer de próstata, a equipe anexou uma molécula que reconhece o PSMA, uma proteína presente na superfície das células tumorais prostáticas. Embora algumas partículas tenham se acumulado brevemente em outros órgãos, como o baço, não foram observados sinais de toxicidade fora dos tumores.

Os resultados mais impressionantes foram obtidos em estudos de sobrevivência, onde a combinação das C' dots com uma terapia de bloqueio de pontos de checagem imunológica resultou em remissões completas ou quase completas em quatro dos dez camundongos. A adição de um terceiro tratamento, o bloqueio de CSF-1R, que visa macrófagos associados ao tumor, aumentou o número de remissões completas para cinco dos dez camundongos.

A equipe de pesquisa, que inclui co-autores como Drs. Nabil Siddiqui, Li Zhang e Gabriel DeLeon, continua a investigar as nanopartículas de sílica como uma nova classe de terapias contra o câncer, com o objetivo de avaliar a segurança e a eficácia em ensaios clínicos humanos no futuro.