Antônio Pereira do Nascimento, motorista que recebeu erroneamente uma transferência de mais de R$ 131,8 milhões em junho de 2023 e devolveu o montante ao Bradesco, continua sem respostas sobre seu pedido de recompensa. A situação se complica após a Justiça não analisar um recurso da defesa, que buscava esclarecimentos sobre uma decisão anterior.
Decisão da Justiça não analisa embargos de declaração
A decisão mais recente foi publicada em 8 de novembro pela 6ª Vara Cível de Palmas. O juiz responsável não conheceu os embargos de declaração apresentados pela defesa de Antônio, o que significa que o recurso não foi analisado por não atender aos requisitos legais.
Os embargos de declaração foram solicitados após o juiz dispensar a oitiva de testemunhas na ação em que Antônio pleiteia R$ 13.187.022,00 como recompensa, além de R$ 150 mil por danos morais. De acordo com a ação, ele alega ter sofrido pressão psicológica devido à transferência e que sua conta foi classificada como VIP, resultando em cobranças indevidas.
Contexto do caso e repercussões
O recurso da defesa foi apresentado após a decisão do juiz Lauro Augusto Moreira Maia, que, em março de 2026, considerou que os documentos já eram suficientes para a análise do processo. Ao não conhecer os embargos, o magistrado não examinou o mérito dos argumentos apresentados pela defesa, afirmando que não havia contradições ou omissões que justificassem o recurso.
O g1 tentou contato com a defesa de Antônio Pereira para obter um posicionamento sobre a decisão judicial e os próximos passos do processo, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O Bradesco, responsável pela transferência equivocada, declarou que não comenta processos em andamento na Justiça.
O caso de Antônio teve início em junho de 2023, quando ele, pai de quatro filhos e avô de 14 netos, consultou o saldo de sua conta e se deparou com a quantia milionária. O motorista, que possuía apenas R$ 227 em sua conta antes do erro, afirmou que nunca considerou ficar com o dinheiro, ressaltando sua honestidade e compromisso com o trabalho.
Em julho de 2024, Antônio ingressou com uma ação judicial, alegando que a situação lhe trouxe prejuízos, incluindo pressão psicológica por parte do gerente do banco, que afirmava que pessoas aguardavam a devolução do dinheiro em sua porta. Além disso, a defesa argumenta que, devido ao montante recebido, o banco elevou a tarifa bancária sem aviso prévio e que Antônio enfrentou abalos emocionais pela exposição na mídia e o assédio à sua rotina.
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