O presidente argentino, Javier Milei, viaja ao Brasil nesta sexta-feira para apoiar a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro em uma convenção partidária, na esperança de estender ao maior país da América Latina uma onda regional de vitórias eleitorais da direita. O raro apoio de um chefe de Estado estrangeiro na convenção de oficialização da candidatura injeta novo ânimo na campanha de Bolsonaro após meses de escândalos e disputas internas. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro caiu para trás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto.

Outros partidos conservadores evitaram apoiar a candidatura de Bolsonaro enquanto seu pai cumpre pena de prisão domiciliar por uma tentativa fracassada de golpe. O prestígio de uma figura internacional pode ajudar o senador a consolidar um campo político fragmentado. "A presença de Milei na convenção ajuda a energizar e mobilizar a base mais ideológica do partido", disse Silvio Cascione, chefe da Eurasia Group para o Brasil, destacando o alinhamento com vitórias recentes da direita na Colômbia, no Peru e no Chile.

'Erosão interna' A campanha de Bolsonaro prepara-se para um recomeço após meses de adversidades. Em maio, o senador confirmou relatos de que um banqueiro — posteriormente preso em uma grande investigação de fraude e suborno — forneceu recursos para a produção de um filme sobre a trajetória política de seu pai. O caso voltou a ser alvo de escrutínio nesta semana, após a Polícia Federal receber autorização para investigar o financiamento.

No mês passado, um desentendimento público com sua madrasta ameaçou sua imagem junto ao eleitorado feminino. Nesta semana, novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros trouxeram à tona os resultados mistos das tentativas de sua família de obter intervenção do presidente americano Donald Trump. Pesquisas do instituto Quaest mostram que Bolsonaro agora apresenta uma desvantagem de oito pontos percentuais em um eventual segundo turno contra Lula, enquanto em abril ele detinha uma vantagem técnica.

"A campanha de Flávio enfrenta um desgaste interno", disse o analista político Rafael Favetti. O Bolsonaro mais velho, que não deu sinais de que deixará a política definitivamente, continua exercendo influência por meio de sua esposa, Michelle Bolsonaro, e de outros, enfraquecendo a posição de Flávio como o herdeiro natural da marca Bolsonaro, acrescentou o analista. Até o final da quinta-feira, a assessoria de imprensa do senador não havia respondido a um pedido de comentário.

Onda de direita O apoio a Milei — cuja vitória em 2023 na Argentina iniciou uma onda de quase uma dúzia de eleições na América Latina vencidas por candidatos alinhados a Trump — serve como lembrete dos ventos favoráveis ​​mais amplos que dão uma chance a Bolsonaro. Em toda a região, preocupações com a criminalidade e a estagnação econômica impulsionaram conservadores com uma agenda amplamente compartilhada de "ordem em primeiro lugar, mercados em segundo e uma relação mais próxima com Washington", informou o JPMorgan a clientes nesta semana. O líder argentino viajará em seguida ao Peru para a posse de Keiko Fujimori, em 28 de julho; ao Equador, para conversas com o presidente conservador Daniel Noboa; e à Colômbia, para a posse do direitista Abelardo de la Espriella, em 7 de agosto.