Reação do governo brasileiro

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou as falas do presidente argentino, Javier Milei, como "ríspidas, grosseiras e inaceitáveis" e afirmou que elas representam uma interferência nos assuntos internos do Brasil. Em entrevista à TV Globo, Vieira destacou que as declarações de Milei foram recebidas de forma negativa, sendo críticas ao governo, ao povo e às instituições brasileiras.

Vieira observou que a manifestação de Milei foi um ataque ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio Presidente da República, caracterizando o episódio como "extremamente grave". Apesar da gravidade da situação, o chanceler descartou a possibilidade de medidas diplomáticas mais severas, como a retirada da representação brasileira da Argentina, enfatizando a importância de manter os canais de diálogo abertos.

Convocação de embaixadores

O governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para expressar sua insatisfação e buscar esclarecimentos sobre as declarações do presidente argentino. Além disso, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado para discutir as relações entre os dois países.

Convocar um embaixador que está em missão no exterior é uma ação considerada séria nas relações internacionais, sinalizando que o país busca ouvir explicações sobre uma posição considerada hostil. Por outro lado, a convocação do embaixador argentino demonstra a insatisfação do Brasil e a necessidade de esclarecimentos sobre as declarações de Milei.

Declarações de Milei em evento político

Javier Milei fez suas declarações durante a convenção do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, no dia 25 de novembro. Em um discurso acalorado, o presidente argentino criticou o socialismo e se referiu a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), como "lixo careca", em resposta à negativa de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Milei também associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma transformação política na América Latina, afirmando que a região estaria abandonando governos de esquerda em favor de políticas liberais. Essas declarações geraram repercussão e foram vistas como uma provocação ao governo brasileiro.

Reação do STF

Após as declarações de Milei, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, se manifestou, considerando as falas do presidente argentino uma "referência desrespeitosa" a um magistrado da mais alta corte do país, feita em solo brasileiro. Fachin ressaltou que as declarações ferem a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados e reafirmou a autonomia do Judiciário brasileiro.

O ministro ainda expressou a necessidade de manter um padrão civilizado nas interações diplomáticas, deplorando manifestações que não condizem com esse princípio.