Mateus Aleluia apresentou um show solo de voz e violão no Teatro Nelson Rodrigues, no Rio de Janeiro, na noite de sábado, 11 de julho. O evento marcou a estreia carioca da turnê de Seu Mateus, com uma segunda apresentação programada para o dia seguinte, 12 de julho, cujos ingressos já estão esgotados.
Uma experiência transcendental
O cantor baiano, de 82 anos, proporcionou uma experiência única ao público, que foi convidado a desligar-se das urgências cotidianas e a adentrar no tempo sereno do artista. Aleluia, conhecido por sua profunda conexão com a ancestralidade, destacou a espiritualidade de seu canto. “O canto fala tudo o que sentimos sem contornos. É uma linguagem espiritual. Falamos de dentro”, afirmou durante a apresentação.
Memórias e canções
Embora a presença de Mateus Aleluia em palcos cariocas seja rara, sua última apresentação na cidade ocorreu em 2017. Recentemente, ele se apresentou em Salvador, na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, acompanhado pela Orquestra Afrosinfônica. No Teatro Nelson Rodrigues, Aleluia apresentou um repertório autoral que incluiu a música “Homem! O animal que fala”, do álbum “Fogueira doce” (2020), encerrando o show com a canção-título.
O artista traz à tona memórias afetivas de sua vivência na África e em Cachoeira (BA), cantando a nobreza do amor. Suas músicas, como “Sonhos cor de criola” e “Filho de rei”, possuem um caráter transcendental, refletindo a profundidade de sua mensagem. “Eu vi Obatalá”, canta em uma de suas composições, evocando uma conexão espiritual intensa.
O maior sucesso de sua antiga banda, Os Tincoãs, “Cordeiro de Nanã”, é entremeado por um lamento que expressa as dores históricas do povo negro. No entanto, o canto de Aleluia também oferece consolo e sabedoria, proporcionando uma experiência que alimenta a alma.
Ao final do show, Mateus Aleluia agradeceu ao público, afirmando que se sentia “abastecido”. Na verdade, foi ele quem proporcionou ao público um momento de reflexão e serenidade, com sua música capaz de emanar boas vibrações e acalmar aqueles que se entregam à sua arte.
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