A baiana Nilza Carla Leal, mãe de João Pedro, de 20 anos, que tem paralisia cerebral, desenvolveu um absorvente dérmico voltado para pacientes gastrostomizados. A ideia surgiu durante as frequentes internações do filho, quando ela utilizava seu tempo livre para estudar e buscar soluções para as dificuldades enfrentadas.

João Pedro, que nasceu com problemas que levaram ao diagnóstico de paralisia cerebral, passou por uma gastrostomia ainda na infância, o que exigiu cuidados constantes com a pele na área da incisão. O gastroenterologista Luiz Almeida, do Hospital Mater Dei Emec, explica que o procedimento cria um canal entre a parede abdominal e o estômago, permitindo a alimentação e administração de medicamentos através de uma sonda.

Desenvolvimento do dispositivo

Após ser acusada de maus-tratos em decorrência de ferimentos na pele do filho, Nilza decidiu se capacitar e buscar uma solução. Assim surgiu o JO+, um dispositivo que visa proteger a pele, garantindo higiene e qualidade de vida para pacientes e cuidadores.

Nilza Carla, que é bióloga, técnica de enfermagem e atualmente cursa um mestrado, teve que fazer mudanças significativas em sua vida. Com 27 anos, ao descobrir a condição de seu filho, precisou deixar o emprego e o curso de administração em recursos humanos para se dedicar integralmente a João Pedro.

Características do JO+

O JO+ foi desenvolvido como uma alternativa a gazes e adesivos utilizados na medicina. O dispositivo é feito de poliuretano, um material flexível importado da China, e tem como função cobrir a pele, evitando o atrito da sonda e absorvendo o suco gástrico antes que ele entre em contato com a pele. Nilza destaca que o absorvente muda de cor conforme absorve o líquido, indicando o momento da troca.

Desde o início do processo de elaboração do dispositivo, em 2016, foram realizados vários protótipos e testes. Hoje, além de João Pedro, outros três pacientes já utilizaram o JO+. O nome do produto é uma homenagem ao filho de Nilza e também a outros pacientes que podem se beneficiar do dispositivo.

Desafios e futuro

Atualmente, Nilza busca financiamento para iniciar a produção em escala do JO+. O custo de produção é de R$ 4,90 por unidade, mas ela ressalta que pacientes gastrostomizados podem precisar de até seis absorventes por dia. Um dos principais obstáculos enfrentados por Nilza é a exigência de faturamento para participação em editais, o que a impede de formalizar a venda do produto.

Ela expressa a necessidade de recursos para cobrir despesas como a patente e o CNPJ, que são essenciais para a continuidade do projeto. A mãe se orgulha de sua trajetória e do apoio que recebe de sua filha mais nova, Maria Júlia, de 14 anos, que também ajuda nos cuidados com João Pedro.