O pastor Jin Mingri, uma figura proeminente da igreja subterrânea na China, foi libertado da prisão e viajou para os Estados Unidos, menos de dois meses após a sua prisão ser abordada diretamente pelo ex-presidente Donald Trump.
Jin, fundador da Igreja Zion, foi detido durante uma série de operações noturnas em todo o país em outubro, descritas por grupos cristãos como uma das mais severas repressões à atividade religiosa na história recente da China. O governo chinês mantém um controle rigoroso sobre as práticas religiosas e promove oficialmente o ateísmo.
Reação da família e apoio internacional
A família de Jin expressou sua gratidão aos apoiadores em um comunicado, afirmando: "Nós realmente testemunhamos um milagre e estamos nos sentindo sobrecarregados de alegria". O Ministério das Relações Exteriores da China ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso do pastor.
A família também agradeceu ao presidente dos EUA e à administração Trump pela "tremenda liderança", e mencionou que sabiam que "isso não poderia ter acontecido sem a intervenção direta do [presidente chinês] Xi Jinping". Eles esperam que essa liberação seja um sinal de uma mudança positiva para os fiéis na China e nas relações entre os dois países.
Continuação da repressão religiosa na China
A ChinaAid, um grupo de direitos humanos baseado nos EUA que monitora a perseguição religiosa, confirmou que Jin, também conhecido como Ezra Jin, chegou a Los Angeles após sua libertação. O fundador da organização, Bob Fu, celebrou a liberação, mas observou que "incontáveis" praticantes religiosos, incluindo oito membros da Igreja Zion, continuam encarcerados na China.
A Aliança Interparlamentar sobre a China, que reúne legisladores ocidentais, incluindo dezenas de parlamentares do Reino Unido, expressou estar "extremamente feliz" com a notícia da libertação de Jin. Durante uma visita de estado a Pequim em maio, Trump havia solicitado a Xi Jinping que liberasse o pastor e, em declarações posteriores, mencionou que o presidente chinês "disse que iria considerar fortemente o caso do pastor".
Além de Jin, Trump também levantou a questão da detenção do magnata da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai, que foi condenado a 20 anos de prisão por colusão com forças estrangeiras sob a polêmica lei de segurança nacional da cidade.
A Igreja Zion, fundada por Jin em 2007 com apenas 20 membros, cresceu para se tornar uma das maiores igrejas não registradas da China, com uma rede de cerca de 10.000 pessoas em 40 cidades. A igreja foi oficialmente banida pelo Partido Comunista Chinês em 2018, após resistir à pressão do governo para instalar câmeras de segurança em sua propriedade em Pequim. Desde então, muitas de suas congregações foram investigadas e fechadas.
Relatos indicam que trinta líderes religiosos foram detidos durante as operações noturnas em outubro, seguidas por uma repressão semelhante contra outra igreja em janeiro, na qual nove pessoas foram detidas.
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