O governo brasileiro convocou seu embaixador em Buenos Aires após o presidente argentino, Javier Milei, ofender Luiz Inácio Lula da Silva, chamando-o de "ladrão" e "condenado" durante um evento em São Paulo. As declarações ocorreram no domingo, 27 de outubro, durante um comício para lançar a candidatura presidencial do direitista Flávio Bolsonaro, que disputará as eleições em outubro.
Ofensas e reações
Milei, ao se referir de forma pejorativa ao presidente brasileiro, não o nomeou explicitamente, mas afirmou que Bolsonaro seria o único capaz de "parar Lula". A reação do governo brasileiro foi imediata, com diplomatas afirmando que as palavras do líder argentino insultaram o governo, o povo e a democracia do Brasil.
Em resposta, Lula declarou que continuará a governar "sem a interferência de ninguém" e ressaltou que "no Brasil, não aceitamos que ninguém se intrometa onde não é chamado". A convocação do embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi confirmada por agências de notícias, que indicaram que ele deveria retornar ao Brasil entre domingo e segunda-feira.
Contexto político e histórico
Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi condenado no ano passado a mais de 27 anos de prisão por conspirar para manter seu pai no poder após a derrota nas eleições para Lula. O juiz responsável pela condenação, Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, também foi alvo de críticas de Milei, que o chamou de "lixo careca". Moraes havia negado anteriormente a Milei o acesso ao ex-presidente Bolsonaro durante seu período de prisão domiciliar em Brasília.
As tensões entre os dois países são alimentadas por um histórico de rivalidades políticas. Em 2018, Lula foi condenado a 12 anos de prisão em um grande escândalo de corrupção e suborno, mas foi libertado após cumprir pouco mais de 18 meses. As condenações de Lula foram anuladas pelo Supremo Tribunal em 2021, e ele venceu as eleições presidenciais no ano seguinte, conquistando 50,9% dos votos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que representava a extrema direita no Brasil.
As declarações de Milei não apenas intensificam a tensão entre os governos, mas também refletem um ambiente político polarizado na América do Sul, onde as relações entre os países frequentemente são influenciadas por suas respectivas agendas políticas internas.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.