O Reuters Digital News Report 2026, apresentado no DW Global Media Forum em Bonn, traz dados preocupantes sobre o consumo de notícias entre os jovens. Segundo Jim Egan, autor principal do estudo, que é realizado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford, a pesquisa revela uma mudança significativa nas fontes de informação.

O papel das redes sociais

Uma das principais conclusões é que as redes sociais e plataformas de vídeo estão se tornando as fontes de notícias mais utilizadas, superando a televisão e os sites de notícias. Egan destaca que, embora o consumo de redes sociais não esteja crescendo de forma acentuada, há uma queda no uso de formatos tradicionais, como os telejornais. Nos Estados Unidos, mais de um terço dos jovens abaixo de 25 anos informou que nunca assistiu a telejornais ou acessou sites de notícias regularmente.

Desconfiança nas notícias

O relatório alerta para o risco da busca por um público mais amplo a qualquer custo, uma vez que, embora os jovens sejam usuários frequentes de redes sociais, a confiança nas notícias nessas plataformas está em baixa. Egan observa a ironia dessa situação: "As pessoas estão se movendo para plataformas que confiam menos".

A popularidade dos vídeos

Os formatos de vídeo estão ganhando destaque, com 75% dos entrevistados afirmando assistir a notícias em vídeo semanalmente, especialmente no YouTube, TikTok e Instagram. Contudo, os editores que produzem seus próprios conteúdos em vídeo têm enfrentado desafios para alcançar o público.

Queda da confiança nas notícias

A pesquisa também revelou uma queda na confiança nas notícias, com 37% dos entrevistados globalmente afirmando confiar nas informações. Egan enfatiza que, apesar das mudanças, o jornalismo continua sendo relevante, especialmente em tempos de incerteza.

O estudo entrevistou cerca de 100 mil pessoas em 48 países. A parte alemã da pesquisa foi realizada pelo Leibniz Institute for Media Research em Hamburgo. O Reuters Institute, que realiza o estudo, é uma instituição de pesquisa da Universidade de Oxford, financiada por empresas como o Google.