Tayla Sanchez, hoje com 35 anos, passou por uma experiência de quase morte aos 25, após um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, que foi confundido com enxaqueca durante 18 meses. O episódio crítico ocorreu em setembro de 2016, quando um fisioterapeuta que a acompanhava entrou em contato com a família, informando que a jovem não sobreviveria ao fim de semana devido ao coma induzido em que se encontrava.
Após dias internada e em estado crítico, Tayla acordou e relatou: "Literalmente morri. As pessoas pensam que é no sentido figurado da palavra, mas não. Eu morri e voltei." O AVC foi causado por uma trombose venosa cerebral, que se formou devido ao uso prolongado de anticoncepcionais hormonais.
Diagnóstico tardio e complicações
O diagnóstico de Tayla foi dificultado por problemas no aparelho de tomografia do hospital, e o convênio médico inicialmente negou a autorização para o exame em outro serviço. Durante 18 meses, ela buscou atendimento médico devido a dores de cabeça intensas, sendo diagnosticada repetidamente com enxaqueca.
De acordo com o neurocirurgião Helder Picarelli, o AVC isquêmico ocorre quando a circulação sanguínea no cérebro é obstruída, levando à morte das células cerebrais. A trombose venosa cerebral provoca um aumento da pressão intracraniana, o que pode resultar em AVC hemorrágico, complicando o quadro do paciente.
Fatores de risco e prevenção
O AVC, muitas vezes associado a pacientes idosos, vem afetando também mulheres jovens, especialmente aquelas que usam anticoncepcionais hormonais. O estrogênio, presente nesses medicamentos, pode aumentar a coagulação sanguínea, elevando o risco de trombose. O neurocirurgião Feres Chaddad destaca que a falta de investigação adequada de fatores de risco genéticos pode levar a diagnósticos tardios e consequências fatais.
Tayla, que desconhecia sua predisposição genética para trombose, não apresentava outros fatores de risco como tabagismo ou obesidade. Contudo, a combinação do uso do anticoncepcional com sua predisposição genética contribuiu para o desenvolvimento da trombose venosa cerebral.
Após acordar do coma, Tayla enfrentou um longo processo de recuperação, tendo perdido o movimento do lado direito do corpo. Ela descreveu experiências de quase morte durante o período em que esteve inconsciente, que a marcaram profundamente.
O tratamento da trombose venosa cerebral geralmente envolve anticoagulação plena, e em casos mais graves, procedimentos como trombectomia mecânica podem ser necessários. Tayla destaca que, se o diagnóstico tivesse sido feito a tempo, sua situação poderia ter sido diferente.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.