O Irã se despediu de seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em um funeral que ocorreu em meio a um forte simbolismo político, reunindo milhões de pessoas em Teerã. A cerimônia, que foi marcada por três dias de luto público, culminou em uma marcha que percorreu 10 km, demonstrando tanto a devoção a Khamenei quanto a mensagem de resistência e vingança que os novos líderes do país desejavam transmitir ao mundo.

A marcha de segunda-feira, considerada a mais significativa da semana de eventos fúnebres, foi acompanhada por um grande número de apoiadores que entoavam os tradicionais gritos de “morte à América” e “morte a Israel”. Entretanto, muitos iranianos optaram por não participar, refletindo o descontentamento gerado por dois conflitos em menos de um ano, uma inflação em torno de 80% e as consequências das protestos anti-governamentais ocorridos em janeiro.

Descontentamento entre a população

Um homem, que se identificou como parte da população insatisfeita, afirmou: “Claro que não vou ao funeral. Muitas pessoas estão sem trabalho e muito infelizes.” O descontentamento é atribuído em parte a Khamenei, que também exerceu a função de comandante supremo, sendo associado a uma repressão violenta que resultou na morte de milhares durante os protestos.

As cerimônias fúnebres agora seguem para locais sagrados do islamismo xiita, como Qom, Najaf e Karbala, com o sepultamento final programado para quinta-feira no Santuário do Imam Reza, em Mashhad, cidade natal de Khamenei. Essa estruturação dos eventos visa posicioná-lo como uma figura transcendente que vai além de um líder nacional.

Mensagens de vingança e resistência

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, contestou as declarações do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que havia se referido às lágrimas dos iranianos como “falsas”. Em meio à multidão, um homem idoso, identificado como Mojtaba, declarou: “Em breve, vocês verão sinais de vingança na Casa Branca, e a cor da Casa Branca será a cor da minha bandeira vermelha.”

A presença de cartazes em inglês responsabilizando Trump pela situação atual também foi notada, além de mensagens que convocavam a população a se unir em um sentimento de vingança. Um oficial do governo comentou que, embora algumas dessas declarações possam ser ritualísticas, a raiva é genuína entre os críticos que se opõem ao novo acordo com os Estados Unidos que resultou na morte do líder.

Com a nova liderança, o Irã enfrenta um cenário econômico crítico e a necessidade de negociar para aliviar sanções e desbloquear ativos. Apesar das tensões, muitos apoiadores do governo se mostraram ativos, abordando jornalistas estrangeiros e pedindo que a verdade sobre a situação do país fosse divulgada.

A ausência de Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder, durante a cerimônia foi notada, aumentando as especulações sobre sua segurança diante das ameaças contínuas. Ao mesmo tempo, uma enorme estátua de um punho cerrado foi erguida na Praça da Revolução, simbolizando a resistência do Irã frente a inimigos internos e externos.