Teerã realizou novos ataques a bases militares dos Estados Unidos localizadas em estados do Golfo vizinhos, enquanto Washington continuou a bombardear alvos em território iraniano durante a noite. As hostilidades renovadas ocorrem no sexto dia de um conflito que ameaça um acordo preliminar para a paz.
O governo iraniano afirmou ter atingido alvos na região, incluindo Jordânia, Kuwait e Bahrein. Em resposta, o Comando Central dos EUA (Centcom) informou que lançou uma série de ataques que durou seis horas em várias localidades, com o objetivo de "destruir a capacidade do Irã de ameaçar marinheiros inocentes" no Estreito de Ormuz.
Esses intercâmbios de ataques aconteceram após o aviso do presidente dos EUA, Donald Trump, que alertou o Irã para que "se comportasse" ou enfrentasse novas ações militares caso o país não retornasse às negociações.
Escalada de Tensão e Ameaças Mútuas
Na terça-feira, Trump ameaçou atingir a infraestrutura energética do Irã caso Teerã não voltasse à mesa de negociações. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou à mídia estatal que o Irã "não tinha razões" para seguir qualquer acordo que não fosse benéfico ao país, enfatizando que a segurança nacional do Irã depende da manutenção do que ele chamou de "arranjos iranianos" no Estreito de Ormuz.
Os ataques mais recentes dos EUA focaram em centros de comando, instalações de defesa aérea e instalações de vigilância costeira em diversas áreas do Irã, incluindo a cidade portuária de Bandar Abbas e a Ilha Grande Tunb. Relatos da mídia estatal iraniana indicaram que explosões foram ouvidas em várias partes do país, e que as defesas aéreas foram ativadas em Teerã.
Após os ataques, aliados dos EUA na região reportaram incidentes. O exército do Kuwait informou ter interceptado ataques aéreos com drones, enquanto o ministério do interior do Bahrein pediu aos cidadãos que permanecessem calmos e buscassem abrigo em locais seguros.
Bloqueio e Respostas do Irã
O Irã também afirmou ter atacado sistemas de comunicação e instalações de armazenamento de combustível dos EUA na Jordânia durante essa nova rodada de hostilidades. Com o aumento das tensões, o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial ao largo da costa iraniana, permanece bloqueado, em resposta a ataques realizados por EUA e Israel.
Na terça-feira, os EUA anunciaram a retomada de um bloqueio a portos iranianos, que havia sido suspenso como parte de um acordo entre os dois países no mês anterior, conhecido como memorando de entendimento. No dia seguinte, os EUA dispararam e incapacitaram um petroleiro de bandeira de Curaçao que estava se aproximando de um porto iraniano bloqueado.
Em resposta à renovação do bloqueio dos EUA, o Corpo da Guarda Revolucionária do Irã advertiu que os EUA deveriam "esperar o fechamento de outras rotas de exportação de petróleo e gás que atendem aos interesses dos Estados Unidos e seus aliados". A declaração não especificou quais rotas poderiam ser afetadas.
As hostilidades contínuas ressaltam a importância estratégica do Estreito de Ormuz para a economia global, com um aumento acentuado nos preços do petróleo, devido à paralisação do tráfego de petroleiros por essa rota vital.
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