Mais de 300 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas e acomodações de férias na França e na Espanha devido a incêndios florestais, que resultaram em milhares de pessoas buscando abrigo em centros de emergência no último domingo.
Os incêndios destruíram residências e desencadearam uma das maiores operações de evacuação civil em tempos de paz na França, com chamas ainda ativas em ambos os países. Um incêndio na Espanha resultou na morte de uma pessoa, enquanto novas ordens de evacuação foram emitidas nas proximidades da cidade francesa de Bordeaux e da capital espanhola, Madrid, com autoridades alertando para uma nova noite difícil.
Evacuação em massa e condições alarmantes
Familiares dormiram em camas de campanha em centros de exposições e ginásios, após fugirem de nuvens de fumaça e chamas que devastaram florestas e áreas turísticas. Frederic Tavitian, um homem de 70 anos, descreveu a situação: "Fomos informados: 'Vocês têm que evacuar'. Vimos colunas de fumaça, como um vulcão prestes a entrar em erupção." Aproximadamente 5 mil a 6 mil pessoas passaram a noite no centro de exposições de Bordeaux, que foi adaptado para abrigar os evacuados.
De acordo com o corpo de bombeiros de Gironde, o incêndio gerou uma rara nuvem de "pirocumulonimbus", que criou seus próprios ventos e redemoinhos, tornando-o "errático e incontrolável", conforme relatou o capitão dos bombeiros Nicolas Braz.
Desafios enfrentados pelos bombeiros
Os bombeiros, exaustos após dias de combate aos incêndios, enfrentam dificuldades para conter as chamas. Dois bombeiros franceses perderam a vida perto de Bordeaux nesta semana. Na Espanha, um incêndio próximo à cidade de Valência também resultou em uma morte, antes que as equipes conseguissem controlá-lo.
Na França, cerca de 197 mil pessoas foram evacuadas de áreas ao redor de Bordeaux, uma das maiores evacuações já realizadas, embora 3 mil tenham conseguido retornar posteriormente. As autoridades relataram que mais 55 mil pessoas foram ordenadas a deixar suas casas no sábado, totalizando mais de 200 mil evacuados apenas em Gironde.
Na Espanha, 60 mil pessoas foram evacuadas de aldeias a oeste de Madrid, e o Primeiro-Ministro Pedro Sanchez enfatizou que a prioridade era "salvar vidas". Oito municípios próximos a Toledo também receberam ordens de evacuação.
As condições climáticas extremamente secas, agravadas por ondas de calor desde maio, contribuíram para a rápida propagação dos incêndios. Cientistas apontam que o aquecimento global está intensificando as secas e tornando as emergências climáticas mais frequentes e severas. A Europa é o continente que mais aquece devido às mudanças climáticas.
A França e a Espanha receberam assistência da União Europeia, incluindo aeronaves de combate a incêndios de outros Estados-membros. O governo francês mobilizou 1.500 soldados para apoiar os esforços de combate ao fogo em Bordeaux e utilizou um avião militar A400M para lançar água e retardantes sobre as chamas.
As plumas de fumaça dos incêndios na França e na Espanha começaram a se fundir na atmosfera, segundo a agência meteorológica Aemet da Espanha. Na França, os incêndios já consumiram quase 98 mil hectares, um "recorde histórico", conforme afirmou o Ministro do Interior Laurent Nuñez.
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