Um homem de 21 anos foi investigado por esconder um celular para filmar mulheres em um banheiro feminino de um prédio comercial em Santos, litoral de São Paulo. O crime ocorreu na semana passada, e o mesmo indivíduo já havia sido acusado de prática semelhante em 2024, quando um celular foi encontrado em um banheiro de uma rede de fast food na cidade.
Em ambas as situações, o homem foi liberado após prestar esclarecimentos na delegacia. De acordo com informações da Polícia Civil, o crime de registro não autorizado da intimidade sexual é considerado uma infração penal com pena máxima de quatro anos, mas a sanção varia de seis meses a um ano, além de multa.
Repetição do crime em 2024
Na ocorrência anterior, em 2024, o homem foi chamado à delegacia após uma denúncia sobre um celular escondido em um banheiro de uma rede de fast food no bairro Aparecida. A identidade do acusado não foi divulgada, o que impossibilitou a localização de sua defesa até a última atualização desta reportagem.
Desta vez, duas mulheres encontraram um celular oculto dentro do banheiro destinado a mulheres com deficiência no prédio comercial, também localizado no bairro Aparecida. As imagens capturadas mostram o aparelho posicionado sob a pia, com a câmera voltada para o vaso sanitário.
Investigação em andamento
O caso começou a ser investigado pelo 3° Distrito Policial local após as vítimas registrarem um boletim de ocorrência. Os investigadores conseguiram identificar o homem por meio de imagens de câmeras de monitoramento que o mostraram entrando no banheiro onde o celular foi encontrado.
Durante seu depoimento, o homem admitiu ser o proprietário do celular e revelou que está em tratamento psicológico e psiquiátrico devido ao seu comportamento voyeurístico, que consiste em obter prazer sexual ao observar outras pessoas em situações íntimas. Ele afirmou que consumiu pornografia em excesso ao longo dos anos e que agora sente atração por observar a intimidade alheia sem o conhecimento das vítimas.
O investigado ainda mencionou que busca controlar seus impulsos por meio de tratamento especializado e alegou não se recordar de como o celular foi colocado no local, citando o uso de medicamentos psiquiátricos que podem provocar lapsos de memória.
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, o delegado Wagner Camargo Gouveia informou que as imagens do celular apreendido mostram horas de gravações e outras possíveis vítimas, além das duas que registraram o boletim de ocorrência. A polícia agora investiga se o homem filmou as mulheres apenas para sua satisfação pessoal ou se tinha a intenção de vender os conteúdos para sites de pornografia.
Na terça-feira (14), a polícia cumpriu dois mandados de busca e apreensão, um no prédio comercial e outro na residência do investigado. Foram apreendidos um celular, um computador, um notebook e quatro simulacros de arma de fogo. O investigado forneceu as senhas para desbloquear os dispositivos, permitindo acesso ao conteúdo armazenado e a realização de perícias técnicas.
O prédio comercial, por meio de nota, confirmou apenas o cumprimento da ordem judicial no local.
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