Ahmed al Ahmed, de 44 anos, conhecido como herói por ter enfrentado um dos atiradores que matou 15 pessoas em Bondi Beach, declarou-se inocente das acusações de agressão contra seu pai durante uma audiência no Banco Local de Bankstown, em Sydney.
O incidente, que ocorreu em março, resultou em acusações de assalto, assédio e intimidação contra Ahmed. Seu advogado afirmou que a situação tem sido "muito difícil" para o cliente e se trata de uma "questão familiar que ele nunca esperou enfrentar".
No dia 14 de dezembro, durante um ataque a um evento judaico, Ahmed interveio ao saltar sobre Sajid Akram, que estava disparando contra a multidão. Ele conseguiu desarmar o atirador, mas foi ferido por um segundo criminoso, que o atingiu várias vezes no braço. Este ataque foi considerado o mais letal da Austrália desde 1996, sendo classificado pela polícia como um incidente terrorista contra a comunidade judaica.
As ações de Ahmed foram amplamente divulgadas, gerando uma campanha de arrecadação que conseguiu reunir mais de 2,5 milhões de dólares australianos (aproximadamente 1,24 milhão de libras esterlinas ou 1,7 milhão de dólares). Após a formalização das acusações no início deste mês, Ahmed afirmou à mídia local que as alegações de agressão são "totalmente falsas".
Em paralelo, dois irmãos de Ahmed, Hozifa e Sameh al Ahmed, enfrentam acusações de ameaças e tentativa de extorsão relacionadas às doações recebidas por ele. Eles foram morar com Ahmed após o tiroteio, mas a relação deteriorou-se, culminando em alegações de que teriam ameaçado feri-lo caso não recebesse US$ 100 mil cada.
Ao deixar o tribunal, Ahmed se esquivou de perguntas sobre a veracidade das declarações de sua família e se acredita que poderá fazer as pazes com seu pai e irmãos.
Nos dias seguintes ao ataque, o Primeiro-Ministro da Austrália, Anthony Albanese, visitou Ahmed em recuperação no hospital, descrevendo-o como "o melhor de nosso país". Em uma entrevista, Ahmed, que nasceu e foi criado na Síria, relatou que sua motivação para enfrentar o atirador foi o desejo de impedir que pessoas inocentes fossem mortas, afirmando que "sua alma" o impulsionou a agir.
O caso retornará ao tribunal em agosto, com uma audiência marcada para dezembro.