O renascimento do conflito entre Estados Unidos e Irã tem colocado os países do Golfo em uma situação delicada. O combate recomeçou em fevereiro de 2026, após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã. Um memorando de entendimento assinado em junho visava interromper as hostilidades, mas as acusações mútuas de descumprimento levaram a novos confrontos. Os EUA realizaram bombardeios no Irã, que retaliou atacando aliados americanos na região, especialmente na Península Arábica.

Embora alguns países do Golfo não estejam sendo atingidos diretamente, todos têm a perder caso a violência se intensifique novamente.

Bahrain: Dilemas internos e ameaças externas

Bahrain abriga uma importante base da Marinha dos EUA e foi alvo direto dos recentes ataques iranianos. Por ser um dos menores países do Golfo, as instalações militares estão mais próximas de áreas residenciais e comerciais, tornando o impacto do conflito ainda mais visível para a população civil.

Politicamente, Bahrain enfrenta um cenário complicado. A monarquia local reprime a dissidência, mas a maioria da população é xiita, enquanto a família real é sunita. O regime já deteve centenas de pessoas por postagens anti-guerra nas redes sociais ou por suposta simpatia ao Irã, aumentando as tensões internas.

Kuwait: Mudanças na política externa

Kuwait possui o maior número de bases americanas no Oriente Médio, incluindo duas bases aéreas e cerca de 13.500 militares. A posição do país, que historicamente se apresentou como mediador, está mudando devido aos ataques iranianos. Observadores notaram que o governo kuwaitiano se tornou mais assertivo nas protestações contra os ataques do Irã.

Arábia Saudita: Equilíbrio entre diplomacia e segurança

Com uma base aérea significativa dos EUA, a Arábia Saudita tem priorizado a diplomacia para evitar a escalada do conflito. O país deseja focar em seus objetivos econômicos do plano Vision 2030, e tem tentado proteger sua infraestrutura de petróleo. A interrupção das exportações de petróleo pela passagem de Ormuz obrigou a Arábia Saudita a redirecionar parte de suas vendas para um oleoduto que liga ao Mar Vermelho.

Emirados Árabes Unidos e Qatar: Desafios econômicos

Os Emirados Árabes Unidos também abrigam uma base aérea americana e se preocupam com a reputação de centros financeiros como Abu Dhabi e Dubai, que são vitais para sua economia. O Qatar, por sua vez, possui a base aérea de Al Udeid, a maior dos EUA na região, e mantém relações relativamente boas com o Irã, embora tenha sido alvo de ataques iranianos.

O papel de Omã

Omã, que não possui uma grande instalação militar dos EUA, mantém boas relações com ambos os países e tem atuado como facilitador de diálogos diplomáticos, o que pode ser crucial nas tentativas de resolução do conflito.