A Grande Barreira de Corais, o maior sistema de recifes de corais do mundo, não será incluída na lista de locais em perigo da UNESCO, conforme um rascunho de decisão divulgado na última sexta-feira em Paris. A decisão foi recebida com alívio pelo governo australiano, que tem trabalhado para mitigar as preocupações sobre o futuro do recife.

Preocupações anteriores e resposta da UNESCO

A UNESCO havia expressado anteriormente sua "máxima preocupação" com a situação do recife, destacando o impacto do aquecimento global e os eventos de branqueamento em massa que afetaram a região. Cientistas da ONU haviam solicitado que a Grande Barreira fosse adicionada à lista de Patrimônios Mundiais em perigo, devido a esses desafios ambientais.

O comitê da UNESCO, em seu relatório preliminar, reconheceu os esforços da Austrália para lidar com questões como a qualidade da água, a gestão sustentável da pesca e o desmatamento, que afetam diretamente a saúde do recife. No entanto, o documento também levantou preocupações sobre a redução da cobertura de corais duros, resultado dos eventos de branqueamento ocorridos em 2024 e 2025.

Importância econômica e turística da Grande Barreira de Corais

Governos sucessivos em Canberra têm pressionado para que o recife não seja colocado na lista de locais ameaçados, dada a sua importância econômica e turística. A Grande Barreira de Corais, que se estende por 2.300 quilômetros ao longo da costa do estado de Queensland, atrai mais de 2 milhões de visitantes anualmente e gera mais de 9 bilhões de dólares australianos para a economia do país, segundo estimativas do governo. Além disso, o recife é responsável por cerca de 77 mil empregos diretos.

A ministra assistente de Turismo da Austrália, Nita Green, declarou em uma transmissão televisiva que "a Austrália acolhe a decisão da UNESCO de não listar o recife como ameaçado e reconhece todo o trabalho que tem sido feito para protegê-lo". Green também mencionou que o país deverá apresentar um novo relatório de progresso à UNESCO sobre a Grande Barreira de Corais em 2028.

Desafios contínuos para a preservação do recife

Desde que entrou para a lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO em 1981, a Grande Barreira de Corais tem enfrentado sérios desafios. O recife abriga 400 tipos de corais e 1.500 espécies de peixes, mas já passou por seis eventos de branqueamento em massa desde 2016. O branqueamento ocorre quando as algas que vivem nos corais, responsáveis por sua nutrição, começam a produzir toxinas devido ao aumento da temperatura da água, levando os corais a expulsá-las e resultando na sua descoloração.

Em 2021, a UNESCO já havia alertado sobre o risco de o recife ser classificado como em perigo, e desde então tem monitorado a situação anualmente. Green reforçou que a decisão mais recente da UNESCO "reconhece todo o trabalho que a Austrália tem feito para gerenciar esses riscos, mas também reconhece que a mudança climática continuará a ser uma ameaça ao recife".