A recente tragédia causada por um forte terremoto na Venezuela, que resultou em milhares de mortes e desaparecidos, trouxe à tona discussões sobre a sismicidade na América do Sul, incluindo o Brasil. Nesse contexto, o Jornal Opção analisou os dados sobre os tremores de terra ocorridos em Goiás.

Embora Goiás esteja situado na Placa Sul-Americana, longe das zonas de contato entre placas tectônicas, o estado apresenta uma atividade sísmica notável. Segundo levantamento do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) e da Rede Sismográfica Brasileira, mais de 150 eventos sísmicos foram registrados em Goiás desde 1826, distribuídos por diversos municípios.

O maior terremoto registrado em Goiás

O evento mais significativo ocorreu em 8 de outubro de 2010, quando a cidade de Mara Rosa registrou um terremoto de magnitude 5,0, o mais forte já documentado no estado. O tremor foi sentido em várias cidades goianas e até em Brasília, gerando preocupação na população. No mesmo dia, um outro tremor de 4,2 foi registrado na mesma localidade, precedido por um abalo de 3,6 em 4 de outubro, caracterizando uma sequência sísmica.

Desde então, a atividade sísmica em Goiás tem sido monitorada. A maioria dos tremores apresenta magnitudes entre 2,0 e 3,5, consideradas baixas, mas alguns eventos superaram 4,0, como os ocorridos em Guarani de Goiás (4,2) em 2010, Santa Tereza de Goiás (4,2) em 2016, Britânia (4,0) em 2012, e Trombas/Formosa (4,1) em 2011.

Atividade sísmica em 2024

O ano de 2024 se destacou pela intensificação da atividade sísmica em Goiás, registrando até junho 21 tremores, um aumento significativo em comparação aos cinco eventos de 2023 e seis de 2022. Este número é um dos maiores da última década, que acumulou 110 eventos sísmicos no estado.

Entre os tremores de maior magnitude em 2024, destacam-se:

  • Trombas – 3,1 na Escala Richter (o maior do ano);
  • Posse – 2,8;
  • São Miguel do Araguaia – 2,6;
  • Trindade – 2,4;
  • Campo Alegre de Goiás – 2,0;
  • Catalão – 1,8.

A maioria dos tremores continua a ocorrer na região Norte do estado, embora também sejam registrados em outras áreas, como Catalão e Rio Verde. Especialistas indicam que essa concentração se relaciona à presença da Bacia do Parnaíba, enquanto o Sul é influenciado pela Bacia do Paraná.

Percepção de aumento de tremores

De acordo com Marcelo Peres Rocha, professor do Observatório Sismológico da UnB, os registros frequentes de tremores em Goiás são consequência das características geológicas da região, mas não indicam riscos de terremotos de grandes magnitudes. Ele ressalta que Goiás está afastado das bordas das placas tectônicas, onde ocorrem os terremotos mais intensos.

Rocha explica que a percepção de um aumento na frequência dos tremores se deve ao avanço na tecnologia de monitoramento e à rapidez das informações nas redes sociais, que fazem com que eventos menores sejam notados e reportados pela população.

A maioria dos terremotos em Goiás possui magnitudes entre 2 e 3, sendo eventos de magnitude 5 considerados raros no Brasil.