No contexto da genômica de conservação, um grupo de pesquisadores da Universidade de Illinois Urbana-Champaign e da Oregon State University está pedindo uma abordagem ética que priorize o conhecimento indígena e os direitos sobre dados. As chamadas são parte de duas publicações que abordam a necessidade de considerar os ecossistemas de forma holística.

Publicações destacam questões éticas

A primeira publicação, veiculada na revista Ethnobiology Letters, discute as considerações estratégicas e éticas em torno da 'de-extinção' de espécies usando tecnologias genômicas. Já a segunda, publicada na Conservation Biology, aborda preocupações mais amplas relacionadas ao uso de dados genômicos não humanos na conservação.

Alida de Flamingh, pós-doutoranda do Centro de Ciência Indígena, afirma: “O Centro promove formas de fazer ciência que vão além do que é comumente visto em sistemas acadêmicos, especificamente para sistemas de ciência indígena”. Essa pesquisa busca promover a soberania dos dados indígenas, além do acesso e compartilhamento de benefícios.

Colaboração com comunidades indígenas é fundamental

No artigo da Conservation Biology, de Flamingh e seus coautores enfatizam a importância da colaboração entre comunidades indígenas e grupos de pesquisa voltados à conservação. Eles fazem uma comparação entre as diretrizes éticas que regem a pesquisa genômica humana envolvendo comunidades indígenas e a ausência de um quadro semelhante para a pesquisa de genomas não humanos.

“Já existe um conjunto de trabalhos fenomenais feitos por estudiosos e comunidades indígenas que informam como pensar sobre genomas de uma maneira culturalmente fundamentada”, diz de Flamingh. Os co-autores destacam a prática emergente de biobanking, que envolve a coleta e armazenamento de amostras biológicas para estudos e esforços de restauração futuros.

Os pesquisadores defendem que as práticas de biobanking não humano devem respeitar a soberania dos dados indígenas e assegurar o compartilhamento de benefícios, considerando o conhecimento valioso que esses grupos detêm sobre espécies de importância cultural e ecológica.

“As pessoas muitas vezes não consideram o que constitui uma espécie culturalmente significativa”, observa de Flamingh, ressaltando a necessidade de uma visão mais relacional na conservação.

O artigo da Ethnobiology Letters também destaca a importância de uma visão holística dos ecossistemas. O autor principal, August Hoffman, menciona o projeto da Colossal Biosciences, que anunciou a 'ressurreição' do lobo-direto por meio de dados genômicos e tecnologia de edição de genes CRISPR, questionando a falta de um precedente claro para esforços de de-extinção ecologicamente responsáveis.

Os pesquisadores concordam que, à medida que as empresas de biotecnologia avançam com esses projetos, é crucial priorizar a colaboração com comunidades indígenas, que têm sido guardiãs dos ecossistemas por milênios.

As publicações representam um esforço colaborativo do Centro de Ciência Indígena, com contribuições significativas de professores e pesquisadores das instituições envolvidas.