Uma forte tempestade de granizo atingiu Eldorado do Sul, na Região Metropolitana de Porto Alegre, durante a madrugada, causando sérios danos à infraestrutura local. O temporal derrubou dezenas de árvores, postes e destelhou mais de cem casas na cidade.

Na rodovia BR-290, a queda de uma árvore resultou em congestionamento e fez com que uma carreta saísse da pista, embora o motorista não tenha se ferido. O bairro Parque Eldorado, que abriga cerca de 10 mil habitantes, foi o mais afetado, e os moradores passaram o dia avaliando os prejuízos.

“Deu dez minutinhos e desabou-lhe tudo. Daí saí pra rua e vi meu carro demolido, minhas coisas tudo chovendo dentro de casa, tomei né, um prejuízo”, relatou o empreiteiro Anderson Nunes de Azevedo. O Centro de Tradições Gaúchas da cidade também sofreu danos significativos, com a perda do telhado e de algumas paredes. O construtor Sérgio de Melo comentou: “Com essa força de derrubar parede de material, de concreto, de fazer coisas assim, nunca tinha visto”.

Segundo a Defesa Civil, não houve feridos, mas 444 pessoas foram obrigadas a deixar suas residências. Dez horas após a tempestade, ainda era possível encontrar blocos de gelo espalhados pelas ruas. A chuva intensa destruiu o telhado de um mercado e devastou um pavilhão adjacente.

Claudionir Goulart de Souza, comerciante local, mencionou a destruição de dezoito anos de trabalho: “Quebrou tudo mesmo. Placa solar, as telhas, arrancou tudo. Não ficou nada. Não ficou nenhuma telha. Vou reconstruir, se Deus quiser. Começar tudo do zero”.

Eldorado do Sul já havia enfrentado enchentes em 2024 e, mais uma vez, decretou situação de emergência. A meteorologista Natália Pereira destacou que esses fenômenos são comuns no Sul do Brasil nesta época do ano, mas estão sendo associados ao calor e à umidade intensificados pelo fenômeno El Niño.

A Defesa Civil está distribuindo lonas e oferecendo ajuda humanitária aos afetados. A dona de casa Geni de Menezes expressou preocupação: “E eu estou apavorada, porque estamos sem luz, sem água também, eu tenho água de poço, a minha caixa está pouquinha, vamos ficar sem água também, né”.

A prefeitura organizou um abrigo para os desabrigados, mas não houve procura significativa por parte dos moradores. Canoas, outra cidade da região, também foi impactada pelo temporal, onde o vento arrancou o telhado de uma residência. A estoquista Maria Priscila relatou: “O telhado deu um forte vento, uma corrente de vento, e levou o telhado todinho, no mesmo instante. Foi um susto, mas está todo mundo bem”.