José Saramago é considerado um mestre das realidades paralelas desesperadoras e alegóricas. Em seu romance “Ensaio sobre a cegueira”, o autor português nos apresenta uma epidemia de cegueira que provoca um colapso social.

Lançado em 2008, o filme ‘Ensaio sobre a Cegueira’ parte de uma premissa absurda: um homem perde a visão enquanto dirige, em meio ao trânsito de uma grande cidade. A cegueira se espalha rapidamente, transformando a sociedade em um laboratório da barbárie.

A comida logo se torna moeda de poder, enquanto a violência passa a determinar hierarquias. O hospital, que deveria funcionar como espaço de proteção, vira um verdadeiro laboratório da barbárie, onde a sobrevivência a qualquer custo vem antes de princípios morais ou altruístas.

O fator que torna o filme tão perturbador é a percepção que o espectador tem quanto à velocidade com que a civilização pode desmoronar. E o mais inquietante é perceber que a cegueira não cria a crueldade que aparece naquele ambiente. Não: a doença só elimina os mecanismos que, até então, freavam os instintos animais (e cruéis).