Helen de Araújo, uma assistente administrativa de 30 anos que vive na favela de Paraisópolis, em São Paulo, sentiu a necessidade de proteção após a morte de sua sobrinha. A família teve que juntar recursos para cobrir os custos do funeral, uma situação que marcou Helen profundamente.

A história de Helen ilustra um paradoxo: para quem tem pouca reserva, eventos graves podem provocar uma grande ruptura financeira além da dor emocional. A proteção, portanto, pode ser mais necessária justamente para quem tem menos margem para absorver um imprevisto.

Um mercado fora do radar

Nas favelas brasileiras vivem 17,2 milhões de pessoas, movimentando R$ 300 bilhões em renda própria por ano. No entanto, essas famílias representam apenas 1% das receitas dos microsseguros no Brasil, apesar de representarem quase 10% da população.

Em 2025, os microsseguros arrecadaram R$ 1,46 bilhão, enquanto os seguros de danos cresceram 7,32%. O contraste é revelador: enquanto a população de menor renda representa um mercado potencial de R$ 300 bilhões, o produto criado para ampliar sua proteção movimenta apenas uma fração desse valor.