A família de Adrian Howe, ex-gestor de uma loja de telefonia, encontrado afogado dias antes da abertura de sua nova franquia da Vodafone, está pressionando o governo britânico pela implementação de uma nova legislação de franquias em sua homenagem.
A solicitação surge uma semana após a Vodafone ter resolvido uma longa disputa judicial com 62 ex-franqueados que alegaram que a empresa se beneficiou injustamente em até £85 milhões às suas custas. O acordo confidencial foi alcançado 19 meses após a reclamação ser apresentada no tribunal, sem qualquer admissão de responsabilidade, conforme informado em uma declaração conjunta das partes.
O Caso de Adrian Howe
O sofrimento dos 62 reclamantes, que representavam quase 40% dos 167 franqueados da Vodafone, foi inicialmente relatado pelo Guardian em dezembro de 2024. Na ocasião, a Vodafone pediu desculpas aos reclamantes, que atribuíram à pressão da operadora a origem de pensamentos suicidas.
Adrian Howe, que não estava incluído entre os reclamantes, tirou a própria vida em 2018, convencido de que o novo contrato de franquia com a Vodafone o levaria à ruína financeira. Seu caso foi mencionado no Parlamento em janeiro, resultando em um compromisso do então primeiro-ministro, Keir Starmer, de revisar as leis que regem os contratos de franquia.
Kirsty-Anne Holmes, filha de Howe, destacou a necessidade de proteção para os franqueados no Reino Unido. “Não há proteção para franqueados no Reino Unido – isso precisa mudar. Deve haver um órgão regulador para supervisionar esses contratos. O fato de franqueadores como a Vodafone poderem inserir qualquer coisa em um contrato, como garantias pessoais, é um comportamento realmente inadequado. Se essas proteções já existissem, a morte do meu pai poderia ter sido evitada”, afirmou.
Pressão e Impacto Psicológico
Holmes se reuniu com um representante do Departamento de Negócios e Comércio no início deste mês para discutir o caso de seu pai, levantando a possibilidade de novas regulamentações de franquias sob a proposta de “lei Adrian”. “Não quero que isso seja esquecido só porque outra pessoa assume [o cargo de primeiro-ministro]. Quero justiça para meu pai”, declarou.
A situação de Howe, revelada pelo Guardian, levantou questionamentos sobre o tratamento da Vodafone a seus franqueados, que, segundo uma pesquisa de 2020, expressaram críticas significativas em relação ao impacto das ações da empresa em sua saúde mental.
Howe, de 58 anos, estava prestes a abrir uma franquia da Vodafone em Irvine, North Ayrshire, mas foi informado pela empresa que precisava assumir uma segunda franquia em Kilmarnock, onde já havia trabalhado e sabia que a loja enfrentava dificuldades. A possibilidade de que seu lar fosse colocado em risco devido a uma garantia pessoal dada à Vodafone o deixou angustiado.
Seu filho mais novo, Nathan, recorda que seu pai comentou: “A Vodafone me tem nas mãos” em um encontro pouco antes de sua morte. Howe foi encontrado afogado a poucos passos de casa em 27 de agosto de 2018, dias antes da inauguração de seu negócio, marcada para 2 de setembro. Um caderno encontrado em sua casa continha uma anotação perturbadora: “1º de setembro, bom ter a morte”, segundo o relatório de autópsia.
Embora a Vodafone não tenha feito novos comentários sobre o caso de Howe, a empresa já havia rejeitado qualquer sugestão de que tivesse colocado seus franqueados sob pressão indevida. Especialistas em saúde mental ressaltam que o suicídio é um fenômeno complexo, geralmente envolvendo múltiplos fatores.
Um porta-voz da Vodafone UK declarou anteriormente: “Lamentamos se algum parceiro teve uma experiência difícil, mas rejeitamos qualquer sugestão de que nossos franqueados foram submetidos a pressão indevida. Continuamos a operar uma franquia de sucesso, e muitos de nossos franqueados existentes expandiram seus negócios conosco ao assumirem lojas adicionais. Incentivamos todos a levantar questões e sempre buscaremos resolvê-las.”
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