Os Estados Unidos e o Irã suspenderam suas operações militares por um segundo dia, após um período de escalada de hostilidades que durou duas semanas. Nenhum ataque foi registrado por ambas as partes no domingo, gerando um momento de calmaria que surgiu em meio a relatos de esforços renovados para restaurar as conversas diplomáticas.
Esforços Diplomáticos e Desconfiança Persistente
O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, afirmou à Fox News que o presidente Donald Trump está "dando espaço" para potenciais negociações. Apesar de reiterar que os EUA estão "prontos para agir", Waltz destacou que os negociadores têm estado em contato em vários níveis nas últimas semanas.
De acordo com a CBS, a decisão dos EUA de pausar os bombardeios ocorreu em resposta à chegada de uma delegação omani a Teerã. No entanto, as perspectivas de paz continuam a ser dificultadas pela desconfiança mútua. Desde que os EUA e Israel iniciaram ataques contra o Irã no final de fevereiro, autoridades iranianas têm lembrado que foram atacadas durante períodos de negociações em várias ocasiões anteriores.
Retórica e Pressão Interna nos EUA
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, informou à emissora austríaca ORF que mediadores de países como Catar e Paquistão estão trocando mensagens entre Teerã e Washington, mas acrescentou que os esforços diplomáticos anteriores do Irã foram "traídos".
O New York Times revelou que Trump decidiu adiar planos de intensificar os ataques devido a preocupações sobre a diminuição das reservas de mísseis interceptores do Pentágono e outros armamentos de defesa aérea na região. O exército iraniano também anunciou a suspensão de suas operações retaliatórias no Golfo, com o porta-voz Mohammad Akraminia afirmando que, embora tenham interrompido os ataques, a retórica agressiva contra os EUA permanece.
A pressão sobre o presidente dos EUA para encontrar uma saída para o conflito com o Irã está aumentando. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que se reunirá com Trump na terça-feira, advertiu que um retorno aos ataques contra Israel por parte do Irã ou de seus aliados seria um "terrível erro" e resultaria em uma "resposta muito, muito enérgica".
Uma pesquisa recente realizada pela Ipsos e pelo The Washington Post revelou que apenas 29% dos entrevistados acreditam que Trump está lidando adequadamente com a guerra contra o Irã, enquanto 28% consideram que o conflito valeu a pena.
Incidentes no Estreito de Ormuz
Sobre a delegação omani, Baghaei afirmou que as discussões sobre a gestão do tráfego no Estreito de Ormuz foram "úteis e houve progresso". No entanto, incidentes na via navegável, crucial para as exportações de petróleo e gás, continuam a ocorrer, mantendo o risco de escalada.
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA declarou que seu bloqueio naval ao Irã "permanece em pleno vigor". Recentemente, 12 embarcações comerciais foram redirecionadas, duas foram desativadas por não cumprirem as ordens e outras duas foram abordadas para garantir total conformidade. A mídia iraniana informou que a Guarda Revolucionária Islâmica impediu a passagem de seis embarcações no estreito, disparando tiros de advertência.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.