O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou nesta 4ª feira (22.jul.2026) que o secretário de Energia do país, Chris Wright , e o ministro de Energia e príncipe da Arábia Saudita, Abdulaziz bin Salman, assinaram um acordo de cooperação nuclear. Com o acordo, empresas norte-americanas terão acesso ao programa de energia nuclear saudita, “beneficiando a indústria, os trabalhadores e as cadeias de suprimentos” . O tratado também permite a construção de reatores nucleares usando tecnologia dos EUA.
O texto define que a Arábia Saudita poderá processar resíduos nucleares –prática com potencial para a produção de armas nucleares e que havia sido abandonada pelos sauditas após a assinatura de um acordo entre os países em 2009. Contudo, o documento não inclui o chamado Protocolo Adicional, que permite à Agência Internacional de Energia Atômica da ONU realizar inspeções surpresa. Segundo o comunicado do Departamento de Energia, o acordo “mantém os mais altos padrões de segurança nuclear e não proliferação, ao mesmo tempo que se baseia na melhor tecnologia e nos melhores cientistas nucleares do mundo” .
Leia o anúncio na íntegra (PDF – 253 kB). A intenção da parceria é expandir as exportações norte-americanas de tecnologia nuclear, criar empregos bem remunerados nos EUA, promover o crescimento econômico de longo prazo, fortalecer a posição dos EUA em segurança nacional, reforçar padrões globais de não proliferação e aprofundar a parceria “estratégica” entre os 2 países. O texto segue agora para o Congresso norte-americano.
A menos que os congressistas apresentem objeções ao acordo dentro do prazo de 90 dias de sessão, ele entrará em vigor. Durante o governo de Joe Biden (Partido Democrata), o acordo foi concebido como parte de um plano mais amplo que incluiria o reconhecimento diplomático de Israel pela Arábia Saudita. Porém, depois dos ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel pelo grupo Hamas, essa perspectiva perdeu força.
O presidente Donald Trump (Partido Republicano), então, separou a proposta de cooperação nuclear civil entre os EUA e a Arábia Saudita de qualquer exigência de que o país saudita reconhecesse Israel. Em novembro de 2025, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman Al Saud, reuniu-se com Trump na Casa Branca para chegar a um entendimento sobre um acordo de defesa entre os 2 governos, que incluiria a venda de caças F-35 avançados ao reino. Mas isso não chegou a se tornar um tratado que o governo norte-americano apresentasse ao Senado para ratificação.
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