A história da humanidade é também a história da brutalidade. Guerras, genocídios, escravidão e perseguições mostram que nossa capacidade de produzir sofrimento acompanha a construção das civilizações. Aprendemos a explorar o espaço, decifrar o código genético e desenvolver tecnologias extraordinárias, mas continuamos capazes de nos reunir em multidões para celebrar a estupidez.

Quando Donald Trump disse que poderia falar as coisas mais estúpidas do mundo e ainda assim receber aplausos, durante discurso em Clarcksville, Tennessee, no sábado, a plateia aplaudiu. Ele ainda tenta “disfarçar” ao continuar, afirmando que não fala coisas estúpidas, e sim “sérias”. Mas a cena seria cômica se o protagonista não ocupasse a Presidência da maior potência militar do planeta.

Mas como pessoas capazes de raciocinar podem suspender o próprio julgamento diante de um líder? Parte da resposta está na maneira como pensamos. Gostamos de acreditar que somos criaturas racionais, guiadas por fatos e evidências.

Na prática, emoções, crenças e vínculos sociais influenciam profundamente nossas decisões. Muitas vezes, escolhemos aquilo em que queremos acreditar antes de procurar justificativas. Nosso pensamento é também simbólico.

Não reagimos apenas aos fatos, mas ao significado que atribuímos a eles. Uma bandeira representa a pátria para uns e a opressão para outros. Um político pode ser visto como salvador por seus apoiadores, mesmo quando suas atitudes contradizem os valores que eles próprios defendem.