Um estudo internacional revelou que dois em cada três pacientes diagnosticados com o tipo mais comum de câncer de mama não apresentam benefício significativo ao se submeterem à quimioterapia. A pesquisa, que utilizou um teste genético realizado no próprio tumor, é capaz de identificar com segurança quais pacientes podem ser poupados desse tratamento agressivo.

Resultados do estudo OPTIMA

A análise, chamada OPTIMA, foi apresentada no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e avaliou mais de 4.400 pacientes em seis países. Os resultados indicam que a quimioterapia pode ser evitada em uma parcela considerável de mulheres, especialmente aquelas que apresentam características específicas em seus tumores.

Teste Prosigna e suas implicações

A pesquisa também trouxe evidências sobre a eficácia do teste Prosigna em pacientes com maior risco clínico, incluindo mulheres que possuem até nove linfonodos comprometidos e tumores em estágios mais avançados, bem como aquelas na pré-menopausa a partir dos 40 anos. Esses grupos costumam ser encaminhados para a quimioterapia, mas o teste pode mudar essa abordagem.

O Prosigna analisa a atividade de 50 genes no tecido retirado durante a cirurgia ou biópsia e gera uma pontuação de risco. Pacientes que obtêm uma pontuação baixa são os que, provavelmente, não terão um benefício clínico significativo com a quimioterapia.

Na pesquisa, um grupo de pacientes recebeu o tratamento padrão, enquanto o outro teve sua decisão terapêutica guiada pelo teste. Os resultados mostraram que dois terços dos participantes apresentaram pontuação baixa, e para esse grupo, o tratamento foi conduzido apenas com hormonioterapia.

Após um acompanhamento médio de quatro anos, não houve diferenças significativas nos resultados entre os grupos. A sobrevida livre de câncer de mama invasivo foi em torno de 94% para ambos os grupos. Na prática, entre os pacientes com pontuação baixa, apenas dois em cada 100 teriam a recorrência do câncer evitada pela quimioterapia.