O terremoto que atingiu a Venezuela em 24 de julho se tornou o maior abalo sísmico registrado no país em mais de um século. O epicentro do tremor foi localizado no município de La Guaira, próximo à capital, Caracas, e causou o colapso de diversos edifícios, deixando bairros inteiros inabitáveis.
Imagens gravadas por um morador do bairro de Playa Grande durante uma partida de futebol mostram o momento em que o apartamento começa a balançar, seguido pelo desabamento de um edifício vizinho. O proprietário do imóvel, que não possuía seguro, relatou que tremores menores haviam sido sentidos na região duas semanas antes do desastre.
Força-tarefa internacional em ação
Uma coalizão internacional composta por cerca de 60 equipes de 28 países foi mobilizada para atuar nas buscas e resgates de vítimas soterradas em La Guaira. Os grupos utilizam cães farejadores e tecnologias avançadas para localizar sobreviventes. A missão humanitária brasileira é chefiada por Armin Braun, que tem se dedicado ao resgate de um jovem chamado Santiago, cuja casa desabou. Após horas de operação, os sinais de vida cessaram.
“Isso é algo que, sim, tocou bastante a equipe, mas a história do Santiago nos motiva a buscar outros sobreviventes”, declarou Braun durante as escavações. Casos raros de sobrevivência, como o do vigilante Hernán Gil, resgatado após oito dias soterrado, geram esperança entre os resgatistas.
Acolhimento e assistência médica
Com a destruição das moradias, muitos sobreviventes improvisaram avisos em suas propriedades, enquanto outros foram encaminhados para abrigos temporários montados por agências da ONU. Esses locais oferecem alimentação e suporte médico básico. A Marinha do Brasil também instalou um hospital de campanha em La Guaira, que conta com UTIs e centro cirúrgico.
A média de atendimentos na unidade brasileira tem sido de 120 pacientes por dia, com um aumento esperado nas próximas semanas. O comandante Leonel Mariano alertou para a necessidade de estar preparado para a remoção de cadáveres, o que pode agravar as preocupações sanitárias.
Críticas à resposta governamental e relatos de sobreviventes
Moradores de La Guaira expressaram insatisfação com a velocidade das ações de socorro, afirmando que precisaram cavar os escombros antes da chegada das equipes internacionais. A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, rejeitou as críticas, defendendo que o governo mobilizou todos os esforços disponíveis.
Entre os sobreviventes, há relatos como o de Dayana e seu filho, Juan David, que passaram mais de 30 horas soterrados. O pai conseguiu resgatar a família após ouvir a voz da esposa. A família agora busca apoio para reconstruir sua vida após a tragédia.
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