Após dez anos da saída do Reino Unido da União Europeia, pequenas e médias empresas britânicas continuam a relatar dificuldades severas. Entre 16 mil e 20 mil negócios deixaram de exportar para a UE, enquanto os que persistem enfrentam um ambiente hostil, criticando o governo de Boris Johnson por priorizar grandes empresas em detrimento das pequenas.
O fabricante de queijos de Cheshire, Simon Spurrell, afirmou que o Brexit causou um rombo de £250 mil em sua empresa em crescimento, levando-o a vender o negócio para uma companhia maior que poderia lidar com a burocracia. Para ele, “Brexit é o maior autoferimento que qualquer governo já se impôs na história recente”.
Impactos negativos e aposentadorias antecipadas
Ben Fletcher, da Logistics UK, descreveu o Brexit em 2021 como “o quinto círculo do inferno de Dante” e, cinco anos depois, acredita que a situação piorou. Os dados da National Farmers’ Union revelaram uma queda de 37,4% nas exportações de produtos agrícolas para a UE desde 2019.
Outro empresário afetado, Alastair Brooks, proprietário de uma fazenda de frutas em Kent, encerrou suas atividades devido à falta de planejamento do governo e ao fim da livre circulação de trabalhadores da UE. Ele lamenta a dificuldade em recrutar mão de obra, que agora vem de regiões mais distantes, como os 'stans' da Ásia Central.
Custos elevados e desafios burocráticos
Daniel Lambert, que continuou seu negócio de importação/exportação de vinhos da França, relatou que os custos operacionais aumentaram cinco vezes desde o Brexit. Ele criticou a falta de consideração do governo para com as pequenas empresas, que enfrentam uma avalanche de burocracia que antes não existia.
Os dados da HMRC indicam que as exportações gerais para a UE caíram 15,9% entre 2016 e 2025, levantando preocupações sobre a capacidade do Reino Unido de crescer no mercado europeu.