Associações que representam empresários brasileiros e americanos solicitaram a ampliação do comércio entre os dois países em áreas como data centers, automóveis e minerais críticos. A carta foi endereçada a autoridades dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, e enviada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce.

O contexto para a reivindicação é a negociação em andamento entre autoridades do Brasil e dos Estados Unidos sobre um possível acordo relacionado ao tarifaço que pode incidir sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano. O prazo para a definição desse acordo é 15 de julho.

A CNI estima que, se o tarifaço for implementado, cerca de 4,2 mil produtos brasileiros poderão ser afetados, totalizando um impacto de aproximadamente US$ 15 bilhões.

Propostas para o comércio bilateral

No documento, os empresários sugerem ampliar o acesso a mercados, especialmente nas áreas de segurança energética e data centers, além de aprofundar a cooperação regulatória em setores como automotivo e farmacêutico. Também pedem apoio a uma moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre transmissões eletrônicas, aceleração no exame de patentes e cooperação em minerais críticos.

Um trecho da carta destaca: “Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros.” As entidades concluem que a negociação é preferível à imposição de tarifas, pois tende a gerar resultados mais sustentáveis e evitar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores.

Expectativas e reações

O documento foi endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) do Brasil, além de Marco Rubio (secretário de Estado americano) e Jamieson Greer (representante comercial da Casa Branca). Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil declarou que está comprometido com as negociações e o diálogo com as autoridades dos EUA, que já se estende por um ano.

O Brasil busca convencer o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) a reconsiderar a proposta de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. Reuniões entre as equipes dos dois países estão previstas antes da data limite de 15 de julho, que marca o prazo para a decisão sobre as tarifas.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil, representada por seu presidente Abrão Neto, destacou que a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias. Ele ressaltou que a participação dos EUA no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível já registrado, e as importações brasileiras dos EUA recuaram 11% no mesmo período.

Neto alertou que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial dos EUA no Brasil, possibilitando que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado.

O governo brasileiro mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que defendem a não aplicação das tarifas, argumentando que não há substitutos domésticos para os produtos afetados. A aplicação das tarifas, segundo eles, elevaria os custos para consumidores e indústrias americanas que dependem desses insumos.

A investigação comercial dos EUA contra o Brasil, que propõe tarifas, aponta práticas brasileiras que, segundo o governo americano, oneram ou restringem o comércio. Entre os pontos criticados estão questões relacionadas ao PIX, acordos comerciais com outros países e deficiências no combate ao desmatamento ilegal.