A Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) anunciou uma mudança significativa em sua estratégia de precificação de petróleo ao vincular os preços de seus três grades de petróleo offshore—Upper Zakum, Das e Umm Lulu—ao benchmark de Dubai, em vez de ao futuro do petróleo Murban. Essa alteração, que se aplicará a cargas de curto prazo, ocorre em resposta a um cenário de mercado em transformação, especialmente para compradores asiáticos.

Contexto do Mercado de Petróleo

O petróleo Murban, que se destacou rapidamente como um padrão global de precificação devido à sua alta gravidade API e baixo teor de enxofre, tem sido um importante benchmark negociado na ICE Futures Abu Dhabi (IFAD). A mudança para um diferencial em relação ao benchmark de Dubai visa corrigir uma distorção econômica que penalizou compradores, especialmente refinadores asiáticos, por anos. O petróleo offshore da ADNOC, classificado como médio-azedo, apresenta características diferentes e, por isso, sua precificação deve ser ajustada para refletir a realidade do mercado.

Durante o pico do conflito entre os EUA e o Irã, os preços dos futuros de Murban dispararam, tornando os grades de petróleo offshore, que eram precificados com base em Murban, excessivamente caros para os refinadores asiáticos. A nova abordagem da ADNOC busca alinhar esses grades com seus pares físicos reais, como os crudes de Omã e Al-Shaheen do Catar.

Impacto nas Compras Asiáticas

Com o restabelecimento do tráfego no Estreito de Ormuz e a recuperação de suprimentos, os refinadores na Ásia já garantiram alternativas, incluindo petróleo WTI dos EUA e crudes da África Ocidental, reduzindo a demanda por cargas imediatas. Isso coloca os produtores do Oriente Médio em uma posição competitiva desafiadora, já que os compradores asiáticos, como Japão, Coreia do Sul e Índia, agora têm mais poder de negociação para exigir descontos.

Esses refinadores foram responsáveis por absorver cerca de 30 milhões de barris das vendas emergenciais da ADNOC, com a Índia comprando aproximadamente 6 milhões de barris, o Japão 3 milhões e a Coreia do Sul 8 milhões. Com a volta do fornecimento ao mercado e a demanda já atendida, os produtores da região enfrentam a necessidade de manter seus volumes em movimento.

Perspectivas Futuras e Expansão da ADNOC

Após a saída histórica da OPEC, os Emirados Árabes Unidos planejam aumentar sua produção total de petróleo para 5 milhões de barris por dia até 2027, o que representa um aumento imediato de 730 mil barris por dia. A ADNOC pretende investir bilhões em sua estratégia de expansão, incluindo um programa de gastos de capital de 150 bilhões de dólares para 2026-2030 e um pipeline de projetos locais de Dh200 bilhões para aumentar a capacidade de produção e melhorar a infraestrutura de exportação.

Além disso, a empresa está acelerando investimentos em soluções de baixo carbono e energias renováveis, com o objetivo de expandir sua presença no mercado global de energia.