O fenômeno climático El Niño deverá intensificar o calor e aumentar o risco de temporais no estado do Rio de Janeiro nos próximos meses. De acordo com a Climatempo, a primavera e o verão de 2023 serão marcados por temperaturas superiores à média habitual, a partir de setembro.
A meteorologista Hana Silveira explicou que, em anos de El Niño, as temperaturas tendem a ser mais elevadas, o que já é uma característica da estação no estado. "No estado do Rio de Janeiro, onde a primavera e o verão já são caracterizados por temperaturas elevadas, a ocorrência de um El Niño pode contribuir para períodos com temperaturas acima do normal para a estação", afirmou.
Risco de chuvas intensas
Além do calor, o El Niño pode provocar um aumento na frequência de episódios de chuva intensa no Rio de Janeiro. Esses eventos estão associados a diferentes sistemas meteorológicos, como frentes frias e à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), além de eventos convectivos, geralmente conhecidos como tempestades de verão.
Hana Silveira destacou que as precipitações tendem a ocorrer de forma irregular e localizada durante este fenômeno. "Os episódios de chuva intensa tendem a estar mais associados às passagens de frentes frias e aos eventos convectivos. Isso significa que uma cidade pode registrar chuva intensa enquanto áreas vizinhas recebem pouca ou nenhuma precipitação", detalhou.
Entendendo o El Niño
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, com um aumento de temperatura superior ou igual a 0,5°C. Esse fenômeno ocorre a cada dois a sete anos e seus efeitos no Brasil variam de acordo com a região, sendo que o Sul geralmente recebe mais chuvas, enquanto o Norte e o Nordeste podem enfrentar períodos de seca.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou que o fenômeno deve se intensificar ao longo do segundo semestre de 2023, atingindo seu pico entre novembro e fevereiro. A OMM também ressaltou que o El Niño pode aumentar as chances de secas, chuvas intensas e ondas de calor em diversas áreas, tanto continentais quanto oceânicas.
Ações preventivas no Rio de Janeiro
Em resposta às previsões climáticas, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou um conjunto de ações voltadas à prevenção e monitoramento dos impactos climáticos. As medidas incluem a aceleração de obras de contenção de encostas e combate a enchentes, com cronogramas antecipados para garantir que as intervenções estejam concluídas antes do verão.
Além disso, o município irá reforçar a divulgação de protocolos para enfrentar o calor extremo, visando orientar a população sobre como minimizar os impactos das altas temperaturas esperadas nos próximos meses.
Em nível federal, o governo decidiu antecipar o fornecimento de energia de cinco contratos de leilões de reserva de capacidade, adicionando 1,8 gigawatt (GW) ao Sistema Interligado Nacional (SIN) a partir de 1º de setembro. A medida foi tomada pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e visa garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro em 2026 e no início de 2027, considerando os possíveis impactos do El Niño.
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