O livro "Editoras Universitárias Para Quê?" (Ateliê Editorial, 136 páginas), de Paulo Franchetti e Plinio Martins Filho, destaca a importância das editoras universitárias em um contexto onde a leitura é escassa no Brasil. Os autores discutem a função dessas editoras e sua relação com o mercado, especialmente em um período em que a universidade pública enfrenta críticas e ataques.
O papel das editoras universitárias
A obra busca responder questões sobre a relevância das editoras universitárias, que, segundo os autores, devem funcionar como empresas, mas com um foco em investimento social. Franchetti e Martins ressaltam que essas editoras não apenas buscam lucro, mas também alimentam bibliotecas acadêmicas e publicam obras de importância em diversas áreas do conhecimento.
Franchetti, professor aposentado da Unicamp e ex-diretor da Editora Unicamp, aborda a história da edição no Brasil desde a "criação da impressão Régia" em 1808, destacando a evolução do cenário educacional e editorial no país. Ele menciona que, após 13 anos de monopólio, a multiplicação de tipografias no Brasil começou somente após a Independência.
Desafios da educação e da leitura no Brasil
Os autores também discutem o cenário preocupante da alfabetização no país, com 27% da população entre 15 e 65 anos sendo considerada analfabeta funcional, conforme um estudo de 2015. Eles ressaltam que a educação pública ainda enfrenta desafios significativos, como a precarização das condições de trabalho dos educadores e a falta de investimentos nas escolas.
Além disso, o livro menciona marcos históricos que impactaram a educação no Brasil, como a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública em 1930 e a implementação do ensino elementar gratuito. Esses eventos são apresentados como fundamentais para a transformação do cenário educacional, que ainda apresenta contradições e desafios.
As editoras universitárias, conforme argumentam Franchetti e Martins, desempenham um papel crucial na promoção do conhecimento e na resistência a narrativas negacionistas que ameaçam a educação e a pesquisa. A obra reafirma a necessidade de um modelo que integre as editoras ao mercado, sem perder de vista seu compromisso social e educacional.
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