A fisioterapeuta Jéssica Pasquale, de 33 anos, passou por quatro dias em uma unidade de terapia intensiva (UTI) com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC). Após exames, o diagnóstico foi descartado, mas a causa dos formigamentos e dores que ela vinha sentindo há mais de dez anos ainda era desconhecida.

O problema só veio à luz depois, quando Jéssica foi diagnosticada com disfunção temporomandibular (DTM), um conjunto de distúrbios que afetam os músculos da mastigação, a articulação temporomandibular (ATM) e estruturas associadas.

A DTM é uma condição que pode passar despercebida por longos períodos, levando os pacientes a buscar diversos profissionais de saúde antes de receber o diagnóstico correto. Especialistas alertam que o uso excessivo de analgésicos pode provocar outras complicações, como cefaleia crônica.

Prevalência e associação com enxaqueca

Uma meta-análise com 11 estudos e 6.365 participantes estimou a prevalência de DTM em 33,6% da população brasileira analisada. Outra revisão, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, mostrou uma associação entre a disfunção e a enxaqueca: pessoas com enxaqueca têm cerca de seis vezes mais chances de ter DTM.

Os especialistas também alertam para o risco de cirurgias desnecessárias em casos de DTM, já que muitos planos de saúde não cobrem o atendimento odontológico, mas oferecem cobertura para tratamentos com cirurgião buco-maxilo-facial.