Uma votação recente na Câmara dos Representantes dos EUA expôs uma divisão acentuada entre os democratas sobre o apoio militar a Israel, com mais de 100 membros do partido se posicionando a favor de um corte na ajuda. A proposta, apresentada pelo congressista republicano Thomas Massie, foi derrotada com ampla oposição dos republicanos e de 98 democratas.

Este episódio, que ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato em novembro, reflete uma erosão significativa no apoio a Israel entre os eleitores mais à esquerda, especialmente após anos de conflitos em Gaza. O voto, que registrou 103 democratas a favor do corte e 10 se abstendo, representa uma mudança drástica nas posições do partido em relação à política externa americana.

Contexto da votação

A votação destaca um descontentamento crescente entre os eleitores democratas, conforme evidenciado por uma pesquisa do Washington Post-Ipsos, que revelou que quase três quartos dos democratas desejam reduzir ou eliminar a ajuda militar a Israel. Além disso, 40% dos entrevistados se manifestaram a favor de um corte total na assistência.

As mudanças nas opiniões dos eleitores estão sendo observadas em primárias democratas, onde candidatos progressistas têm vencido corridas ao criticar abertamente a ajuda a Israel e a influência do American Israel Public Affairs Committee (AIPAC). Em Michigan, o candidato ao Senado, Abdul El-Sayed, fez da oposição à guerra de Israel e à ajuda militar dos EUA um ponto central de sua campanha.

Implicações políticas e divisões internas

A crescente insatisfação com a política de apoio a Israel pode ter repercussões significativas para o Partido Democrata, especialmente em áreas com grandes populações árabe-americanas, onde a raiva relacionada a Gaza contribuiu para a fraqueza do partido nas eleições presidenciais de 2024, quando Donald Trump venceu o estado.

Os democratas progressistas argumentam que a liderança do partido não está acompanhando as demandas de seus eleitores, afirmando que não é possível defender direitos humanos e justiça econômica enquanto se continua a enviar bilhões em ajuda militar ao governo de Netanyahu. Por outro lado, democratas pró-Israel alertam que essa mudança de postura pode ser explorada pelos republicanos para retratar o partido como hostil a Israel e fraco em questões de segurança.

O Comitê Nacional Republicano da Câmara reagiu rapidamente, afirmando que os democratas estão sendo dominados por uma "fação radical e antissemita" e prometendo que os eleitores se lembrarão disso nas urnas. A divisão também está afetando a unidade entre os democratas no Senado, onde o senador John Fetterman expressou preocupação com a possibilidade de o partido se tornar o que ele chamou de "partido anti-Israel".