A derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3, ultrapassa as fronteiras americanas. Ao perder o controle da Câmara e do Senado, o presidente Donald Trump sofreu um dos maiores reveses de seu segundo mandato e mostrou as dificuldades de um projeto político que, nos últimos anos, serviu de inspiração para movimentos conservadores e nacionalistas em diferentes partes do mundo.
O resultado não representa apenas uma mudança na correlação de forças em Washington. É também um sinal de que a associação entre populismo de direita, nacionalismo econômico, ataques às instituições e polarização política não garantem apoio eleitoral permanente. A experiência americana começa a produzir consequências para lideranças estrangeiras que fizeram da aproximação com Trump uma espécie de ativo político.
Os democratas retomaram a maioria na Câmara, no Senado e venceram disputas em territórios historicamente republicanos. Também elegeram governadores em Estados como Geórgia, Ohio, Iowa e Texas, que estavam sob controle republicano. O resultado foi particularmente expressivo porque Trump participou diretamente da campanha e pediu aos eleitores que votassem como se seu próprio nome estivesse nas urnas.
A derrota tem explicações que vão além da polarização ideológica. O custo de vida, a inflação, a insatisfação com a condução da economia e os efeitos da guerra contra o Irã pesaram na avaliação dos americanos. Pesquisas realizadas durante a votação também apontaram preocupação com corrupção e concentração de poder. A promessa de Trump de melhorar a vida econômica da população perdeu força diante da percepção de que as dificuldades continuavam presentes no cotidiano das famílias.
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