A Cúpula sobre Inteligência Artificial para o Bem, promovida pela União Internacional de Telecomunicações da ONU, ocorreu em um centro de convenções nas proximidades do aeroporto de Genebra. O evento, que está em sua décima edição, reúne representantes dos setores público e privado para discutir como a IA pode ser utilizada de maneira responsável e benéfica para a humanidade.
Doreen Bogdan-Martin, secretária-geral da ITU, destacou em sua palestra que a inteligência artificial, quando aplicada de forma responsável, pode ajudar a resolver problemas globais, como fome, doenças e mudanças climáticas. “Hoje, essa ideia está sendo testada, incluindo os desafios que a própria IA traz, mesmo enquanto nos esforçamos para usá-la para o bem”, afirmou Bogdan-Martin.
Desafios e Críticas à Indústria de Tecnologia
A conferência também abordou as preocupações em relação à aplicação da tecnologia. Giulio Coppi, oficial humanitário sênior do grupo Access Now, criticou a dependência excessiva do setor público em relação às grandes empresas de tecnologia. “Devemos sair da era da inocência”, disse Coppi, que enfatizou a falta de transparência nas negociações multimilionárias que envolvem recursos públicos.
As críticas se intensificaram durante a apresentação de Werner Vogels, diretor de tecnologia da Amazon, quando ativistas pró-Palestina interromperam o evento, acusando a empresa de colaborar com ações contra os palestinos. Essa manifestação exemplificou as tensões em torno do uso da tecnologia em contextos de conflito.
Acesso e Desigualdade Global
O acesso às tecnologias de IA foi um tema recorrente durante a cúpula. Especialistas discutiram como a exclusão de países em desenvolvimento das inovações pode acentuar desigualdades. Syed Munir Khasru, presidente do Institute for Policy, Advocacy, and Governance, argumentou que a questão do acesso à computação deve ser vista como parte da infraestrutura de desenvolvimento, não apenas como um problema tecnológico.
Além disso, foi destacado que a maioria dos grandes modelos de linguagem é estruturada em torno do inglês, o que limita seu uso em comunidades que falam outros idiomas. A necessidade de desenvolver modelos menores e mais acessíveis foi enfatizada para que a IA possa atender a necessidades globais além dos mercados mais ricos.
No encerramento do evento, a ONU anunciou a formação de uma comissão de 44 membros, co-presidida pelo presidente de Ruanda, Paul Kagame, e pelo CEO da Salesforce, Marc Benioff, com o objetivo de promover o uso benéfico da IA. “Nenhum único ator pode moldar o futuro da IA sozinho”, concluiu Bogdan-Martin.
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