Cuiabá contabilizou 250 denúncias de violência contra idosos entre janeiro e maio de 2023, conforme informações da Delegacia Especializada de Delitos contra a Pessoa Idosa (DEDCPI). Se o atual ritmo de casos se mantiver, o número total pode quase dobrar em relação a 2022, que encerrou com 380 ocorrências registradas.

O delegado Marco Aurélio Veloso, responsável pela delegacia, destacou que o aumento nos registros não necessariamente indica um crescimento da violência, mas sim uma maior conscientização da população sobre como realizar denúncias. 'Com o auxílio da imprensa, a população passou a ter ciência de como denunciar os fatos. Hoje, os números são apresentados e podemos constatar a realidade', afirmou.

Perfil das vítimas e falta de estrutura

Uma análise da Polícia Civil revela que não existe um perfil único entre as vítimas, que pertencem a diferentes classes sociais, níveis de escolaridade e condições econômicas. Isso evidencia que a violência contra idosos é um problema abrangente, presente em diversos contextos sociais.

Durante uma audiência na Câmara Municipal de Cuiabá, o delegado Veloso também chamou a atenção para a carência de infraestrutura pública destinada ao atendimento da população idosa. Ele ressaltou que a capital não conta com Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI) públicas, dependendo apenas de entidades filantrópicas.

Críticas ao Estatuto da Pessoa Idosa

O delegado criticou ainda as punições previstas no Estatuto da Pessoa Idosa, que variam de seis meses a três anos de prisão, podendo alcançar até 12 anos em casos mais graves. Ele citou um recente incidente envolvendo o policial aposentado Luciano Testa, que foi flagrado agredindo um casal de idosos dentro de um elevador em um condomínio no bairro Cidade Alta, na semana passada. O caso está sob investigação e o suspeito permanece foragido.