Nos bastidores, a avaliação que une personagens de lados opostos é que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) está longe do fim - e que as próximas semanas serão tumultuadas. Uma fonte resume o que vem pela frente como um ‘setembro sangrento’, com expectativas de novos movimentos de diferentes investigações, reação dentro da Corte e efeitos que inevitavelmente vão respingar no calendário eleitoral.

Entre fontes aliadas de André Mendonça, ouvidas pelo blog, o diagnóstico é de que o relatório da Polícia Federal conhecido na segunda-feira (31) seria apenas uma pequena amostra do que ainda pode aparecer. A leitura nesse grupo é de que houve uma tentativa deliberada de criar uma cortina de fumaça em torno do caso Master e de dificultar o avanço das investigações.

Do outro lado dessa disputa, aliados de Alexandre de Moraes, Flávio Dino e integrantes da cúpula da PF enxergam a ofensiva de Mendonça como parte de uma disputa que agora alcança diretamente a própria Polícia Federal, Moraes e o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Na PF, há a avaliação de que Mendonça quer investigar o diretor-geral Andrei Rodrigues — o que elevaria ainda mais a temperatura de uma crise que já deixou de ser apenas uma divergência entre ministros.

No plenário, sobre o caso específico do relatório do ministro Mendonça, a decisão depende de Edson Fachin. Interlocutores do ministro Mendonça classificam como ‘protocolar’ o envio do caso à presidência do Supremo: a liberação, dizem, ocorreu apenas depois do fim do prazo dado para que fossem prestadas as informações solicitadas por Edson Fachin. Caberá agora ao presidente do STF decidir qual procedimento adotar.