Elis Regina (1945 – 1982) com os três filhos em imagem do documentário 'Elis & eu' Reprodução /Vídeo ♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL Título: Elis & eu Direção: André Buchatsky Roteiro: André Buchatsky e André Rodrigues Cotação: ★ ★ ★ 1/2 ♬ “Naquele mundo que a gente tinha ali, era ela quem provia os superpoderes para todo mundo. Eu tinha 11 anos, mas foi assim que a vida se deu, né?”. A fala de João Marcello Bôscoli é ouvida quase ao fim de “Elis & eu”, documentário de André Buchatsky que estreia na próxima terça-feira, 25 de agosto, no canal Universal +.

Ela era Elis Regina (1945 – 1982), a fenomenal cantora que partiu aos 36 anos, deixando três filhos no mundo, sendo João Marcelo o primogênito. O filme de Buchatsky busca reconstituir o mundo de João Marcello Bôscoli, Pedro Mariano e Maria Rita com Elis – a mãe deles, não a cantora famosa e querida em todo o Brasil – ainda viva. A rigor, o diretor expande na tela o tocante relato íntimo feito por João no livro “Elis e eu – 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe” (2019), base do roteiro construído por Buchatsky e André Rodrigues com mix de depoimentos, imagens de arquivo, dramatizações e números musicais.

Ao longo da maior parte dos 80 minutos, o coração materno de Elis Regina Carvalho Costa é dissecado e dimensionado, espocando na tela do mesmo tamanho da voz da cantora. A entrevista de João Marcello Bôscoli é o eixo do roteiro, mas os depoimentos de Pedro Mariano (o filho do meio com quem João Marcelo dividiu quartos durante anos), de Celina Silva (secretária pessoal de Elis), da cantora Wanderléa, de Natan Marques (guitarrista e diretor musical do último show da cantora), de Ione Cirilo (amiga de Elis) e do jornalista Julio Maria (biógrafo de Elis) ajudam a contextualizar o universo particular de Elis com os filhos ao longo da década de 1970 e no início dos anos 1980, precisamente até 19 de janeiro de 1982, dia em que este mundo desmoronou e teve que ser reconstruído sem a presença física da matriarca.