No dia 26 de julho, a Paraíba celebra o Dia Nacional do Coco de Roda, da Ciranda e da Mazurca, uma tradição que mescla influências africanas e indígenas e se manifesta em diversas comunidades, incluindo periferias e territórios indígenas.

A data foi escolhida em homenagem a Nossa Senhora Santana, conforme explica o pesquisador e produtor cultural Zé Silva. Ele destaca que muitos grupos costumavam se reunir para brincar o coco nesse dia. "O dia 26 de julho era o dia de Nossa Senhora Santana, e muitos grupos só brincavam nessa data", disse Silva, mencionando locais como Baía da Traição e o assentamento Dona Antônia, no Conde.

Raízes e influências do coco

O coco de roda se desenvolveu principalmente nas comunidades tradicionais do litoral paraibano, como os quilombos, onde a herança africana é evidente. Silva aponta que a umbigada, um movimento característico dessa dança, tem origem banto. "O coco na Paraíba se desenvolve no litoral, por exemplo, nos quilombos, onde você tem influência mais africana, obviamente", explicou.

Além disso, o ritmo indígena se destaca pela força das pisadas, que, segundo Silva, é uma característica marcante. Para o povo Potiguara, o coco representa identidade e união coletiva. Anualmente, o festival Garapirá, em Baía da Traição, reúne cerca de 20 aldeias para celebrar essa manifestação cultural. Em 2026, o evento está agendado para os dias 5 e 6 de setembro.

O papel dos terreiros e a origem do coco

O coco de roda também está relacionado aos terreiros de religiões afro-brasileiras, especialmente a Jurema Sagrada. Matheus Presto, do grupo Seu Zé Quer Coco, observa que o coco de terreiro utiliza instrumentos musicais como o maracá e os ilús, que possuem significados dentro da cosmologia afro-indígena. "Os instrumentos que acompanham o Coco de Terreiro não são apenas percussivos, mas pertencem também à cosmologia dos terreiros de matriz afro-indígena", explicou.

Sobre a origem do coco de roda, uma das teorias mais conhecidas sugere que ele surgiu no Quilombo dos Palmares. Contudo, Zé Silva discorda dessa versão, argumentando que a palavra "coco" abrange diversas manifestações culturais que emergiram simultaneamente em diferentes regiões. "Uma tradição pode coexistir. Aqui nas Américas, na África, na Ásia, na Europa", afirmou.

Clara Potiguara, cantora do povo Potiguara, destaca a riqueza de influências presentes no coco de roda, descrevendo-o como um espaço de acolhimento e pertencimento. "Para mim, o coco é um coração de mãe, sempre cabe mais um para entrar na roda", disse.

A mazurca, também celebrada neste dia, é considerada uma variação do coco de roda. Embora associada a uma tradição polonesa, Zé Silva afirma que a mazurca praticada no Nordeste é mais antiga e possui raízes indígenas. "Acredito fortemente que tinha outro nome entre os povos indígenas", concluiu.