Desde a tragédia de 2015 da barragem do Fundão, em Mariana (MG), o setor de mineração foi pressionado pelo setor público e pela sociedade a rever seus processos e torná-los mais conscientes. Quase 11 anos depois, “os desafios ainda persistem e são muitos”, segundo Elaine Costa Lima, promotora de Justiça e coordenadora do Grupo de Trabalho Rio Doce do MPES (Ministério Público do Espírito Santo) . Por parte da Samarco, uma das empresas responsáveis pelo caso, foi apresentado ao público “um processo de retomada, foi responsável”, afirmou o CEO Rodrigo Vilela.

Os dois participaram do painel “O setor que sustenta o Brasil — e os compromissos que sustentam o setor” durante o CNN Talks: Nova Era da Mineração , realizado nesta terça-feira (30), em São Paulo, reunindo autoridades, especialistas e lideranças do setor. Leia Mais Samarco retoma 60% da capacidade produtiva pré-Mariana com nova tecnologia CFI: Mineração vive janela de oportunidade na agenda sustentável global Secretário: Para melhorar licenciamento, temos que investir em IA Os painelistas retomaram o episódio do colapso da barragem de resíduos, e discutiram como o setor evoluiu após tragédia de Mariana e os compromissos por uma mineração mais sustentável no futuro. Lyssandro Norton, secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, relembrou da consolidação da política estadual de barragens mineira .

No estado, foi proibido o uso de barragens construídas a montante – estruturas de contenção de rejeitos de mineração cuja expansão é feita apoiando os diques sobre os próprios rejeitos já depositados. Desde as tragédias de Mariana e Brumadinho (MG), foram identificadas 54 barragens do tipo, sendo que 28 já foram descaracterizadas e outras 26 ainda estão no processo de desmontagem. “Todos temos pressa e urgência, mas não podemos ter pressa quando pode afetar a estrutura e funcionários”, pontuou Norton.

A pressa também é um sentimento compartilhado por quem foi efetado pela tragédia e busca reparação . “As pessoas querem a reparação o mais rápido possível, da forma mais previsível”, ressaltou Edilson Vitorelli, desembargador do TRF6 (Tribunal Regional Federal da 6ª Região). Gabriel Visconti, superintendente da área de Enfrentamento de Eventos Extremos e de Gestão do Fundo Rio Doce do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ressaltou o papel do banco nessa mediação e apontou que é “impossível a solução vir só por uma parte”, destacando a busca por uma “concertação entre múltiplas instituições”.

Elaine Costa Lima reforçou como a aproximação do poder público foi necessária: “Informações precisam ser compartilhadas. Fiscalização e compartilhamento de informações são essenciais para que se consiga uma prevenção e não ocorra novamente, ou estejamos preparados. Não existe reparação justa se não houver participação social efetiva”.

Para Rodrigo Vilela, a mensagem que fica “tem de ser compromisso moral de fazer essa reconstrução” . O CNN Talks: Nova Era da Mineração reúne autoridades, empresários, especialistas e representantes do setor mineral para discutir os caminhos da mineração brasileira em uma nova fase de disputa global por minerais críticos, transição energética e segurança das cadeias de suprimento.