Pesquisadores do VIB, KU Leuven, UK-DRI e Muna Therapeutics identificaram um ponto crítico que pode influenciar se as alterações cerebrais associadas ao Alzheimer levam à demência. A descoberta, publicada na revista Nature Medicine, sugere que a forma como as células imunológicas do cérebro respondem a placas e tau pode ser um novo alvo promissor para tratamentos que buscam prolongar a resiliência cognitiva.
Estudo baseado em doações de tecido cerebral
Utilizando tecido cerebral doado por adultos mais velhos, tanto com quanto sem declínio cognitivo, e amostras de centenários cognitivamente saudáveis, a equipe de pesquisa revelou programas celulares distintos e estados de células imunológicas associados ao progresso da doença e resistência a ela. O professor Bart De Strooper, do VIB-KU Leuven Center for Neuroscience, destacou a importância do estudo, afirmando que “fornece uma visão sobre um tipo de mecanismo de resiliência na progressão da doença de Alzheimer para a demência”.
Por que a patologia do Alzheimer nem sempre resulta em demência
O Alzheimer afeta mais de 55 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo frequentemente associado ao acúmulo de placas de amiloide-β e emaranhados de tau no cérebro. No entanto, esses sinais biológicos nem sempre correspondem ao estado mental de uma pessoa. Algumas pessoas acumulam quantidades substanciais de placas e emaranhados, mas permanecem cognitivamente saudáveis. Isso levou os cientistas a se concentrarem mais em como as células cerebrais reagem a essas proteínas anormais.
As microglias, células imunológicas residentes do cérebro, desempenham um papel crucial nesse processo. Elas ajudam a monitorar e proteger o cérebro, mas seu comportamento pode mudar drasticamente à medida que a doença avança. Compreender essas mudanças pode explicar por que algumas pessoas permanecem resilientes e identificar novas formas de prevenir o declínio cognitivo.
Caminhos biológicos para a resiliência no Alzheimer
Os pesquisadores descobriram que a resiliência não é uniforme entre os indivíduos. Octogenários que desenvolveram placas amiloides, mas não apresentaram demência, mostraram uma resposta microglial inicial. Em contrapartida, centenários ativaram um programa microglial avançado, mas essa resposta não estava relacionada ao acúmulo de tau. Isso sugere que a resiliência pode depender de como o cérebro controla e adapta sua resposta à patologia.
Implicaçõe para tratamentos futuros
Os resultados podem levar ao desenvolvimento de terapias mais precisas para o Alzheimer. Em vez de focar apenas na remoção de placas amiloides, os tratamentos futuros podem buscar preservar a atividade microglial benéfica ou influenciar a transição entre diferentes estados microgliais. Moleculas envolvidas nessas mudanças podem se tornar alvos terapêuticos valiosos. O timing do tratamento também pode ser crítico, sendo mais eficaz antes que a atividade inflamatória se vincule à patologia tau e ao declínio cognitivo.
Niels Plath, CSO da Muna Therapeutics, afirmou que “esses achados abrem novas oportunidades para direcionar estados microgliais e estender a resiliência em vez de se concentrar apenas na remoção de placas”.
Comentários (0)
Entre ou cadastre-se para comentar.